Discriminação

Idadismo, sabe o que é? Nasce um movimento para o combater

Idadismo, sabe o que é? Nasce um movimento para o combater

#StopIdadismo é o movimento que pretende combater a discriminação de pessoas em função da idade. "Esse é um dos grandes objetivos: identificar estas questões, que todos os dias estão a acontecer" disse José Carreira, representante do Movimento Stop Idadismo em Portugal, que é lançado, sexta-feira, em simultâneo em 11 países.

A covid-19 levou à adoção de duras medidas que funcionaram como caixa de ressonância de problemas já existentes. "A pandemia deu alguma visibilidade a problemas que já existiam", disse o empreendedor José Carreira.

No início da pandemia, "quase que se deu a ideia de que estas pessoas mais velhas teriam de ficar confinadas e não poderiam ser visitadas", independentemente de estarem em casa ou em instituições. Para o representante, são evidentes as consequências do "ponto de vista da saúde mental destas pessoas - que mais se agravou - quando já existiam algumas fragilidades".

Saúde e setor social devem estar ligados

Para José Carreira, a resposta à pandemia afetou muito a população envelhecida e "o que ficou claro foi que a grande dificuldade que existe em articular o setor da saúde com o setor social, deixou algumas brechas que não permitiu uma atuação efetiva". Os dois setores "são fundamentais" e "têm de se interligar para poder dar uma resposta mais efetiva", defende.

Decisões de confinamento tomadas com base no critério da idade, proibição de visitas a lares de idosos e infantilização de pessoas idosas e esquecimento são alguns dos problemas que José Carreira aponta.

O movimento nascido este ano teve origem em Espanha, por iniciativa da organização ASISPA - Atención a Personas, com o lema "Stop Edadismo", e nasceu com o intuito de combater a terceira causa de discriminação mais comum no mundo: o Idaismo. O futuro, e para lá caminhamos, é a criação da "Convenção para o direito das pessoas idosas", diz.

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O problema foi também apontado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que publicou, em março, um estudo acerca do Idadismo - "The Global report on ageism", e nota que uma em cada duas pessoas discrimina pessoas idosas, praticando atitudes danosas para a sua saúde física e mental. No final de outubro, a Fundação Calouste Gulbenkian e APAV - Associação Portuguesa de Apoio à Vítima publicaram um estudo que deu conta de um "Portugal Mais Velho" - nome do estudo.

José Carreira, consciente da discriminação etária e sensibilizado com o tema, contactou a organização ASISPA com o intuito de transportar o movimento para Portugal, com o principal objetivo de "sensibilizar, identificar discriminações nos diversos locais e diversas faixas etárias", disse ao JN.

O movimento será lançado em Portugal na sexta-feira, dia 30 de abril,, às 15 horas, em conjunto com 11 países ibero-americanos, com a presença de José Carreira, representante nacional do movimento, Laura Cañete, representante espanhola, Rosa Monteiro, secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, Alexandre Kalache, presidente do Centro Internacional Longevity Brasil, e António Ferrari, assessor de Comunicação da ONU para Portugal, e com a moderação da jornalista Ana Carrilho.

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