Covid-19

Idosos, doentes oncológicos e com doenças crónicas são prioridade

Idosos, doentes oncológicos e com doenças crónicas são prioridade

Doentes imunodeprimidos, em que se incluem pacientes oncológicos, pessoas com doenças crónicas e idosos são uma das "grandes preocupações" no plano de resposta ao novo coronavírus.

"Vamos com certeza dar uma especial atenção a estes doentes - idosos, doentes com doenças crónicas (diabéticos, hipertensos e outros), doentes do foro oncológico, normalmente imunodeprimidos - e vamos tentar até, de uma forma muito articulada, separar doentes de Covid-19 em situações de imunodepressão de outros doentes imunodeprimidos, para não serem contaminados", garantiu o secretário de Estado da Saúde, confirmando que todos os doentes oncológicos terão consultas e tratamentos assegurados. António Lacerda Sales falava na conferência de imprensa desta quarta-feira, em conjunto com a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, onde deu conta do balanço divulgado no boletim epidemiológico desta terça-feira (642 casos confirmados, 89 dos quais em internamento e 20 em cuidados intensivos, dois óbitos e três casos recuperados).

Sobre a "preocupação acrescida" que é a situação em Ovar, desde ontem em estado de calamidade devido a "fortes indícios de transmissão comunitária", Lacerda Sales salientou que "deve servir para nos deixar mais alerta e conscientes" sobre a velocidade de propagação do vírus, enviado uma palavra de "alento" aos habitantes da cidade e de agradecimento a todos os portugueses pelo "elevado sentido de responsabilidade e civismo". "Ainda estamos no início do caminho", admitiu, assegurando que todas as decisões tomadas pelas autoridades de saúde resultam do melhor "conhecimento e evidência científica".

Questionado sobre a falta de equipamento para profissionais de saúde, o secretário de Estado voltou a dizer, como já havia feito ontem, que até ao final da semana serão distribuídos dois milhões de máscaras e 150 mil equipamentos de proteção individual, acrescentando que "o contingente será reforçado no início da próxima semana".

O secretário de Estado voltou a destacar a importância do atual plano de contingência articulado em escala (nacional, regional e local), considerando que esse "braço armado" é "fundamental". E esclareceu que, embora as diretrizes nacionais sejam iguais para todos, seja "natural" que as instituições tenham autonomia para se organizar a nível local.

Confrontada com alegadas altas antecipadas de doentes, por forma a dar lugar a casos mais graves, Graça Freitas explicou que, numa fase inicial, todas as pessoas infetadas foram internadas em contenção máxima (em quartos de isolamento com pressão negativa) e que, à medida que os respetivos quadros de saúde se estabilizaram, os pacientes foram reencaminhados para domicílio. A regra "80, 15, 5" explica bem o método: 80% dos doentes fica em "autocuidados domiciliários", com assistência do médico de família ou outro, 15% em "enfermaria geral" e apenas 5% em cuidados intensivos. "Isto é boa prática internacional", assegurou.