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Incerteza quanto à livre circulação na fronteira do Alto Minho com a Galiza

Incerteza quanto à livre circulação na fronteira do Alto Minho com a Galiza

A possibilidade de circular nas fronteiras de Portugal com a Galiza a partir da meia-noite de sábado, está envolta em incerteza.

Aquela região de Espanha está com restrições à entrada e saída de pessoas do território para contenção da pandemia de covid-19 e as populações interrogam-se sobre a efetividade do levantamento do controlo terrestre anunciado para este sábado.

A própria Junta da Galiza questionou esta sexta-feira o Governo de Espanha sobre as implicações da abertura das fronteiras na mobilidade transfronteiriça, face às medidas em vigor naquele território.

Segundo uma carta enviada hoje pelo vice-presidente do governo galego, Alfonso Rueda, ao ministro do Interior espanhol, em que este acusa "ter tido conhecimento da abertura das fronteiras pela imprensa", as restrições vigoram em "todas as comunidades autónomas que fazem fronteira com Portugal" e apenas permitem "deslocações com justificativa".

Na mesma missiva é solicitada "a máxima colaboração" da administração central espanhola, para "assegurar o cumprimento da medida e que as deslocações na fronteira se ajustem às regras estabelecidas". O Jornal de Notícias contactou o Ministério da Administração Interna (MAI), questionando sobre se os portugueses podem atravessar a fronteira para a Galiza a partir deste sábado e vice-versa, mas a assessoria remeteu quaisquer pedidos de esclarecimento para o Governo espanhol.

Questionado pelo JN, o presidente da Câmara de Valença, Manuel Lopes, desdramatizou a questão: "As fronteiras a partir da meia-noite estão totalmente abertas. Nós podemos ir à Galiza. Ninguém nos pode impedir. E o que me disse o alcalde de Tui (cidade galega vizinha) é que a Galiza está em confinamento enquanto província e está proibida a circulação entre províncias espanholas. No entanto, nada os proíbe de passar para Portugal".

"Se não estão os polícias na fronteira quem é que os impede [aos galegos] de vir para Portugal? Assim, como os portugueses, que queiram ir ao outro lado, quem é que os proíbe? O nosso SEF e a GNR já não vão ter posto de controlo", disse, referindo que ele próprio e o seu homólogo da cidade galega vizinha de Tui farão à meia-noite "um ato simbólico" para a assinalar a abertura da fronteira. "Eles vêm para cá e nós vamos para lá. Vamos encontrar-nos no meio da ponte (velha)", revelou.

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Já no município de Caminha, o autarca Miguel Alves mostra-se mais prudente em relação ao levantamento da restrição nas fronteiras com a Galiza. Por agora, aquela autarquia vai manter suspensas as travessias do ferryboat entre aquela localidade e a vizinha de A Guarda, pelo menos, até dia 9 de maio, altura em que serão revistas as medidas de contenção da covid-19 na margem galega.

"A abertura das fronteiras tem um fator muito positivo que é os trabalhadores transfronteiriços poderem atravessar a fronteira em qualquer ponto. De resto, a minha leitura é que neste momento não é permitida a circulação para ir a um restaurante, às compras, para turismo ou lazer", declarou Miguel Alves, considerando que, para já, o fim do controlo terrestre com Espanha "é uma antecâmara" para a mobilidade total.

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