Açores

"Absoluta normalidade" após a passagem da tempestade Helene

"Absoluta normalidade" após a passagem da tempestade Helene

Helene passou pelos Açores quase sem fazer estragos. O vento foi forte, mas a chuva menos intensa do que o previsto, e temido, ajudou os açorianos a passar por mais uma tempestade tropical sem vítimas ou danos materiais de relevo.

"Registaram-se unicamente 10 ocorrências, todas de pouca monta, sem causar danos pessoais ou materiais", disse ao JN o presidente do Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores, o tenente-coronel Carlos Neves.

Com ventos constantes na ordem dos 90 km/h, e rajadas que chegaram aos 130 quilómetros hora, a ilha das Flores foi a mais fustigada pela Helene. O Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores (SRPCBA) registou "algumas quedas de árvores e pequenas derrocadas" em estradas regionais naquela ilha do Grupo Ocidental, além de uma queda de árvore na Ilha do Pico e outra em São Miguel.

"Tudo situações que ficaram prontas durante a noite. O pessoal que estava no terreno trabalhou toda a noite e, neste momento, todas as ilhas estão numa situação de absoluta normalidade, embora o vento continue um pouco elevado", explicou Carlos Neves.

Por causa da intensidade do vento, que "mantém valores elevados", mantém-se o aviso amarelo no Grupo Ocidental e Central. "A tendência, segundo o IPMA é para diminuir ao longo do dia, conforme a tempestade se for afastando para Norte", disse o presidente da SRPCBA. "O Grupo Oriental está numa situação de apenas alguma precipitação, mas nada de anormal", acrescentou Carlos Neves.

"O aviso amarelo impõe ainda conselhos e cuidados que as pessoas devem tomar, mas isto agora é um tempo com o qual as pessoas estão habituadas a partir desta altura do ano quando vamos entrar no outono", adiantou.

"A população açoriana tem uma cultura já muito enraizada nestas medidas de autoproteção relativamente a intempéries e situações que possam provocar danos nos bens e risco à própria vida", observou Carlos Neves, ao analisar a forma como os Açores passaram quase incólumes pela tempestade, que não foi tão severa como se previa. "O dispositivo que montámos e tínhamos pronto para proteger as pessoas contribuiu para que as situações que ocorreram fossem rapidamente resolvidas", argumentou, levantando o véu sobre a estratégia.

"Como seria difícil mobilizar meios durante a tempestade, jogámos em antecipação", argumentou. Foi enviada para as Flores uma equipa operacional do Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores com uma mala de comunicações, uma equipa de bombeiros e também um médico e um enfermeiro "para reforçar a capacidade de resposta" do Centro de Saúde local.

Antes mesmo de trovejar, as autoridades já sabiam que não iam precisar das graças de Santa Bárbara. "A Direção Regional do Ambiente fez a inspeção antecipada de todas as linhas de água, a ver se estavam desimpedidas ou tinham ramos de árvores que pudessem mudar o rumo dessas ribeiras e afetar as populações", explicou Carlos Neves, salientando que a Direção Regional de Obras Públicas e os Serviços Florestais também foram mobilizados. As Forças Armadas estavam num grau de prontidão superior e tinham disponíveis dois meios aéreos, com reforço da tripulação, e um naval.

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