
Catarina e Daniel casaram ontem em Amares
Paulo Jorge Magalhães/Global Imagens
Empresários do Norte ao Sul falam de crescimento do negócio em 2018 e já há festas marcadas para 2021.
Ultrapassada a crise que retraiu o número de casamentos em Portugal - com o ano de 2012 a atingir a taxa de nupcialidade mais baixa de sempre -, as quintas para eventos do Norte ao Sul do país estão a viver os melhores anos da última década.
Os empresários falam de 2018 como um ano de ouro e perspetivam manter a boa maré por mais dois anos. Há casos em que já há pedidos de marcações de bodas para 2021. "Uma loucura", dizem.
Os casamentos não são o único negócio destes espaços para eventos. No entanto, são os principais motores de crescimento do setor. Fernanda Filipe, proprietária da Quinta da Bichinha, em Alenquer, não esconde que 2018 "foi o ano com o maior número de casamentos", porque "há mais confiança na economia", mas também porque contrair matrimónio "está na moda".
"Há muita gente que está junta há muitos anos, com filhos até, que decide casar. E resolve fazer uma festa. Temos muitos casos desses", afirma a empresária, que tem este ano fechado e 2020 "com muitas marcações".
No Minho, o mesmo cenário. Hélder Silva, da Quinta da Granja, em Guimarães, diz que 2019 está cheio, para 2020 "há grande procura" e para o ano seguinte já estão marcadas "algumas datas".
Mais bodas
"Se 2018 foi um grande ano, 2019 será outro", perspetiva Carlos Grilo, da Quinta de Amorinho, em Valença. O empresário admite que no ano que passou terá feito mais 10 casamentos do que em 2017 e a tendência é de um crescimento de "cerca de 10%" nos próximos dois anos. "É sempre a crescer, até nos batizados", constata.
Luísa Matos, gestora de eventos na Quinta do Jordão, em Vila Nova de Gaia, confirma que, para lá dos casamentos, há outras cerimónias que têm feito mexer o setor. O espaço, só há seis anos aberto à realização de eventos, teve 2018 como "o melhor ano", porque as empresas voltaram a ter orçamentos para realizar iniciativas em espaços exclusivos.
"O nosso cliente não casa durante a semana. Mas temos ocupado o espaço com o serviço "corporate" (eventos corporativos), que andava muito contraído até agora", afirma, admitindo que só o aluguer da quinta, com 10 hectares, custa 4900 euros.
Na maioria dos casos que o JN contactou, os responsáveis apresentam pacotes com serviço de catering e decoração incluídos, que podem oscilar entre os 60 e os 130 euros por convidado. As diferenças entre o Norte e o Sul do país notam-se, sobretudo, nas extravagâncias da festa e no número de convidados.
Grandes bodas
De acordo com Jorge Barros e Jorge Ferreira (ver entrevista ao lado), responsáveis de feiras como o BragaNoivos, ViseuNoivos e White Wedding Weekend), "na região do Minho, onde há ainda um peso grande da religião, nota-se uma maior dedicação, na organização do casamento".
Depois, é também naquela região que ainda são frequentes as "grandes bodas", com 200 ou mais convidados, dizem os empresários. No Centro e no Sul do país, falam de uma "tendência para cerimónias mais pequenas".
Como um pântano virou casa do amor
Na margem do rio Cávado, em Amares, Ludovina e Paulo Macedo ergueram uma quinta que realiza sonhos durante todo o ano. Centenas de casais celebram ali o matrimónio, desde 1991, altura em que ambos deixaram de pensar no negócio da restauração como uma brincadeira para passar a algo sério.
O impulso chegou após a presença do então primeiro-ministro, Cavaco Silva, num banquete organizado pela Misericórdia, que colocou a Quinta Lago dos Cisnes nas bocas da região e, mais recentemente, do estrangeiro.
"Costumo dizer que começámos com os casamentos a brincar. Começámos com os amigos", diz Ludovina, ao lado do marido, "o obreiro" de um projeto que nasceu a partir de um pântano que estava esquecido. "Ele andava à caça, olhou para o terreno e viu que tinha potencial. Era um pântano que estava à venda há dois anos", recorda a proprietária, com 68 anos, sublinhando que começaram por usar o espaço para montar um aviário. Só depois construíram um edifício para avançar com o negócio.
Paulo Macedo, com 72 anos, é o responsável pela imagem que a quinta tem hoje, um estilo tropical que dá azo a fotografias de contos de fadas. "Todos os anos, tentamos renovar alguma coisa", constata José Costeira, um dos cerca de 30 membros da equipa fixa da quinta. As obras costumam acontecer em janeiro, mas não foram a tempo de estragar os planos do casal Catarina Ferreira, 33 anos, e Daniel Sousa, 37, que escolheram a outra quinta de Ludovina e Paulo Macedo, o Solar da Levada, para se casar ontem. E celebrar o batizado de Carolina, o pequeno rebento da relação, que começou há 16 anos.
As constantes melhorias têm levado a um crescimento do negócio, que até tem listas de espera. "Já temos dias ocupados para 2021. Não costuma acontecer", constata José. Ludovina conta com a ajuda das três filhas na gestão do Lago dos Cisnes e do Solar da Levada. Só o serviço base, com atendimento, catering e decoração, pode chegar aos 130 euros por pessoa, na época alta. Habitualmente, os casamentos têm uma média de 120 a 150 convidados. Mais pequenos são os casamentos estrangeiros, que ajudam ao crescimento da quinta.
Mais casamentos
O número de casamentos em Portugal aumentou 3,8% em 2017, uma tendência registada desde 2015, segundo os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística.
Mesmo sexo
Dos 33 634 casamentos celebrados no ano passado, 523 realizaram-se entre pessoas do mesmo sexo, mais 101 do que em 2016.
Menos católicos
De acordo com as estatísticas, do total de casamentos entre pessoas de sexo oposto, 33,7% (11 153) foram celebrados pelo rito católico, menos 1,6% do que em 2016.
Depois dos 30
A idade média do primeiro casamento, em 2017, situou-se nos 33,2 anos para os homens e 31,6 anos para as mulheres.
Verão ganha
Em 2017, 56,1% dos casamentos (18 861) realizaram-se nos meses de verão, entre junho e setembro, sendo agosto o mês com maior quantidade (5263).
22362 casamentos registaram-se, no ano passado, entre janeiro e agosto, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística. Agosto é, para já, o mês com mais matrimónios (5192). Fevereiro foi o menos escolhido para casar (1206).
8125 casamentos realizaram-se, só na região do Norte, entre janeiro e agosto do ano passado. É a região do país com maior número de bodas. Depois das ilhas, Alentejo é a zona com menos gente a casar.
