Prémio Direitos Humanos

Assembleia da República premeia pela primeira vez associação cigana com medalha de ouro

Assembleia da República premeia pela primeira vez associação cigana com medalha de ouro

A associação Letras Nómadas ganhou uma das medalhas de ouro atribuídas pela Assembleia da República no âmbito do Prémio Direitos Humanos 2018, tornando-se na primeira associação de pessoas ciganas a ser distinguida.

A medalha será entregue em 10 de dezembro, numa cerimónia na Assembleia da República, no âmbito do Prémio Direitos Humanos, que este ano foi atribuído à Obra Vicentina de Auxílio aos Reclusos pelo seu trabalho junto da população reclusa, "contribuindo para a humanização do sistema prisional e a reinserção dos reclusos".

Dentro do mesmo prémio, a Assembleia da República atribui medalhas de ouro comemorativas do 50.º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, uma das quais atribuída à associação Letras Nómadas, pelo seu trabalho de promoção da escolaridade e da empregabilidade nas comunidades ciganas e a formação nas áreas da história e cultura ciganas, algo inédito até agora.

Em declarações à agência Lusa, o vice-presidente da associação disse que não esperavam a distinção, mas que ficaram "muito gratos", apesar de sublinhar que a associação não trabalha para as medalhas.

"Trabalhamos sim para a inclusão das comunidades ciganas e para que haja reconhecimento da diversidade cultural nesta sociedade, de que a comunidade cigana há séculos faz parte, mas onde muitas vezes tem vindo a ser maltratada", defendeu Bruno Gonçalves.

Acrescentou que o objetivo da Letras Nómadas é o de ajudar cidadãos ciganos a tornar a sociedade portuguesa cada vez mais rica e mais tolerante.

"Mas claro que ficamos sempre contentes com esta homenagem que nos vão fazer, o que nos traz mais responsabilidade para o futuro, porque sermos condecorados com esta medalha de ouro é sinal de que temos de fazer mais e melhor", sublinhou.

Sobre o facto de esta ser a primeira vez que uma associação de pessoas ciganas ser distinguida pela Assembleia da República, Bruno Gonçalves disse esperar que não seja a última vez, apontando que o atual Governo tem vindo a dar "uma abertura e uma outra visibilidade aos portugueses ciganos" que não tinha existido até agora.

A esse propósito lembrou que em 2017 a associação teve uma reunião com Eduardo Cabrita, à época ministro Adjunto do primeiro-ministro António Costa, algo inédito até então.

"Foi muito importante e foi um marco histórico porque nos outros governos, por muitas tentativas, nunca se concretizou", denunciou.

Ainda a propósito da medalha, Bruno Gonçalves defendeu que é "super importante a visibilidade que dá aos portugueses ciganos", indo contra todas as "ventanias" na Europa com o aumento dos movimentos nacionalistas.

Admitiu ainda que esta distinção vai ser muito boa para o currículo da Letras Nómadas, reforçando o peso da associação, por exemplo, para futuras candidaturas e ajudando a abrir outras portas e "isso é importante".

Além da associação Letras Nómadas, a Assembleia da República atribuiu também medalha de ouro à Orquestra geração, "vocacionada para combater o insucesso e abandono escolar através do ensino da música", e à jornalista Joana Gorjão Henriques, pelo seu trabalho sobre o racismo em Portugal.

Na sua página da internet, a Assembleia da República explica que optou este ano por atribuir o Prémio Direitos Humanos em função de duas áreas temáticas -- a do apoio aos reclusos e a da luta contra o racismo e a xenofobia.

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