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Figuras públicas

Assumir publicamente que se tem cancro é "essencial"

Assumir publicamente que se tem cancro é "essencial"

Qual a importância de uma figura pública assumir que tem cancro? "É essencial" para quem tem a doença, para quem não a tem e para o próprio.

Pouco depois de Bárbara Guimarães revelar nas redes sociais que tem cancro da mama, multiplicaram-se as vozes de apoio à atitude da apresentadora de televisão. A Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) desafia-a a ser embaixadora da associação para ajudar a desmistificar a ideia de que o cancro é uma sentença de morte.

A cada ano são diagnosticados cerca de seis mil novos casos de cancro da mama, mas a taxa de sobrevivência a cinco anos tem vindo a aumentar e já ronda os 80%.

"Temos de começar a falar de cancro como uma doença crónica. Embora a incidência do cancro da mama esteja a aumentar, a mortalidade tem diminuído. Já não é uma sentença de morte", realça Vítor Veloso. Ao JN, o presidente da LPCC diz estar "plenamente convencido de que Bárbara Guimarães vai engrossar o grande exército das sobreviventes de cancro da mama". E aproveita para desafiá-la a ser embaixadora da Liga Portuguesa contra o Cancro. "Quando uma figura pública fala sobre cancro vale mais do que fazer 20 conferências".

Bem-estar psicológico

Na sexta-feira, Bárbara Guimarães deixou uma mensagem emotiva nas redes sociais, revelando que tem cancro da mama. "A todos quero comunicar. Tenho cancro de mama. [...] Fui submetida, com sucesso, à cirurgia. Continuo entregue à Medicina e a Deus. Em boas mãos!", escreveu a apresentadora da Sic.

Simone de Oliveira, Fernanda Serrano, Sofia Ribeiro são exemplos de figuras públicas que, ao terem assumido publicamente a doença, contribuíram para combater o estigma.

"É essencial as figuras públicas falarem de cancro", entende Nuno Miranda, coordenador para o Programa Nacional das Doenças Oncológicas da Direção-Geral da Saúde. É essencial para quem tem a doença porque facilita a aceitação e acaba com a vergonha de ter um diagnóstico de cancro; é essencial para quem não tem cancro pela importância de alertar para a deteção e tratamento precoce e é essencial para o próprio doente pelo testemunho que dá no sentido de encarar a doença como mais um desafio na vida, explica.

Nuno Miranda realça a importância do bem-estar psicológico dos doentes no sucesso dos tratamentos. "Está provado que um doente oncológico com atitude positiva tem mais facilidade em lidar com os efeitos secundários dos tratamentos e tem um sistema imunológico mais capaz", destaca.

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