Igreja

Bispo emérito de San Sebastian admite que há padres com vida dupla

Bispo emérito de San Sebastian admite que há padres com vida dupla

O bispo emérito de San Sebastian, com vários livros publicados sobre o celibato, admitiu esta quinta-feira, em Fátima, que há padres a viver "uma vida dupla" e outros com "dependência eletrónica de programas pornográficos" e defendeu um reforço da formação nos seminários para cultivar o carisma do voto de castidade.

Na conferência de encerramento do Simpósio do Clero, a que assistiram mais de 400 sacerdotes de vários pontos do país, D. Juan Maria Uriarte
abordou em profundidade as virtudes e as dificuldades de uma vida em celibato nas diversas fases da vida, desde a juventude à idade avançada, e revelou que nem todos os sacerdotes seguem à risca o voto de castidade formulado na ordenação sacerdotal.

A maioria, segundo o prelado, "vive o celibato com elegância espiritual, impregnada de paz e alegria interior" e, apesar da solidão e das "tentações eróticas", mantém viva a opção de viver o ministério celibatário, apoiando-se na confissão e nas conversas com os padres que lhes asseguram o acompanhamento espiritual.

Um terceiro grupo de presbíteros, menos numeroso, vive a vida celibatária "numa atitude incómoda e de sofrimento", que, por vezes, resvala para a dependência eletrónica de programas eróticos ou pornográficos. "Não interiorizaram a condição celibatária como um valor evangélico e um catalizador apostólico" e consideram o celibato como "uma condição imposta pela Igreja para exercer o sacerdócio", função que querem continuar a exercer "por não se sentirem com capacidade para mudar e procurar outra orientação para a sua vida", adiantou o bispo.

Porém, existe um quarto grupo, que embora "minoritário", integra os padres instalados "numa vida dupla". "Perante uma aparência, às vezes, honrosa, mantêm habitualmente uma relação amorosa com uma ou com várias mulheres", admitiu D. Juan Uriarte, defendendo, neste contexto, uma melhor formação nos seminários e um melhor acompanhamento formativo dos presbíteros em exercício.

"No ciclo formativo do seminário, seria preciso encontrar espaço e pessoas adequadas para um tratamento monográfico de todas as dimensões
mais importantes do celibato. A formação de partida para cultivar o carisma do celibato é manifestamente insuficiente", assumiu o prelado.

À margem da conferência, D. Juan Uriarte recusou qualquer relação entre o celibato e os abusos de menores, um tema que tem abalado a Igreja Católica, depois de virem a público denúncias de abusos por parte de elementos da instituição e da tomada de posição do Papa Francisco sobre o assunto.

"Os estudos científicos, que são bastantes, estabelecem com clareza que não há nenhuma relação entre celibato e pedofilia. E está comprovado também que entre os ministros de outras confissões casados, tanto os orientais como os protestantes, a percentagem de ministros que incorrem neste tipo de delitos é igual ou maior do que a dos celibatários", afirmou.

Para Juan Uriarte, o facto de ser o seio familiar o local onde mais se pratica a pedofilia, e por parte de educadores de casados, reforça a ideia de que "a relação entre a pedofilia e o celibato não é real". Ou seja, na sua opinião, o que é fundamental é apostar-se numa formação ao nível da sexualidade e da afetividade, quer na sociedade em geral, quer nos seminários.

ver mais vídeos