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Costa desdramatiza "dois terços" do Parlamento à Esquerda

Costa desdramatiza "dois terços" do Parlamento à Esquerda

António Costa desvalorizou esta sexta-feira o aviso de Assunção Cristas de que, se o Centro-Direita não se mobilizar, a maioria parlamentar de Esquerda pode sair reforçada. Aliás, o líder do PS mostrou-se quase sempre à defesa, perante a presidente centrista apostada em desmontar a imagem de um Governo das contas em dia.

Finalmente o primeiro debate das legislativas à seria e digno desse nome. No frente a frente de António Costa e Assunção Cristas, na TVI, o líder do PS assumiu-se como um governante de boas contas, acusando a centrista de ter propostas que "conduziriam a um brutal desequilíbrio das nossas contas públicas". Já a presidente do CDS voltou a defender que o Governo PS levou a cabo a maior carga fiscal sobre os portugueses.

Tal como era expectável, tendo em conta os embates parlamentares nesta legislatura, foi fleumática a discussão entre os dois líderes partidários ao longo de 30 minutos, com Costa - apesar de ter apostado inicialmente em desmontar as propostas eleitorais centristas - a ter de acompanhar o passo de Cristas, que se mostrou mais aguerrida do que nos anteriores debates.

No final, e no dia em que sondagens deram o PS à beira da maioria absoluta e Mário Centeno assumiu que nesse cenário seria mais fácil governar, Cristas acenou com o risco de o país estar dominado por uma cor após a ida às urnas. "Os portugueses podem acordar no dia 7 [de outubro] com um Parlamento dois terços à Esquerda, e, isso, garanto, é um risco enorme para o país", atirou a centrista.

O socialista desvalorizou o dramatismo e as perspetivas eleitorais: "Espero que acordemos todos no dia 7 com um Partido Socialista suficientemente forte, para assegurar o equilíbrio, o bom senso e a estabilidade das políticas e da ação governativa".

PS "asfixiou famílias e empresas", disse Cristas

Costa começou por sintetizar que a relação do PS com o CDS resume-se a "um fosso" e a "enorme diferença" dos programas. Algo com que Cristas até concordou. Sinal de "enorme fosso" é que o "partido que prometeu virar a página da austeridade e criou a carga fiscal máxima em Portugal, asfixiando famílias e empresas".

O líder do PS assegurou que não irá aumentar os impostos. Antes pelo contrário, "vai aumentar a diminuição da tributação sobre o trabalho". Já o plano do CDS para os impostos, apontou, "conduziria a um brutal desiquilibro das nossas contas públicas".

No arranque do debate, Costa destacou a "enorme diferença" entre as duas forças partidárias, colocando debaixo de fogo "t​​​​​rês exemplos" do programa eleitoral centrista. Segundo o socialista, o CDS quer que "quem não entra na Universidade pode comprar o lugar, pagando, como se o dinheiro pagasse tudo". Depois, que em vez "do direito à habitação", os centristas só têm para o setor políticas destinadas "ao direito da propriedade" e que, em terceiro, querem mexer no coeficiente familiar do IRS, colocando os que têm mais a conseguir deduzir mais.

Cristas, de quem o socialista disse que "criou uma onda de despejos como não há memória" com a lei da habitação no Governo PSD/CDS, acusou Costa de "subversão" das medidas centristas. Entre elas, sobre a proposta de acesso para a entrada nas universidades disse que pretende "resolver a enorme desigualdade" que existe entre as famílias com mais rendimentos, cujos filhos conseguem aceder ao Ensino Superior de forma mais fácil que as famílias com menores rendimentos.