Ensino Superior

Desemprego nos recém-licenciados do público cai para 3,4%

Desemprego nos recém-licenciados do público cai para 3,4%

Duplica o número de cursos com emprego garantido. Do total desses diplomados, mais de metade eram de Medicina.

É um novo mínimo. A taxa de desemprego entre os recém-licenciados em instituições públicas caiu para os 3,4% (menos 2,1 pontos percentuais - p.p.) e nas privadas para os 4,1% (menos 1,6 p.p.). Tudo somado, o número absoluto de recém-diplomados no desemprego caiu 36%, com 7233 licenciados, de um universo superior a 196 mil, inscritos no Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP). Já o número de cursos que não produziu qualquer desempregado duplicou, para um total de 63.

Estes e mais dados podem ser consultados no Portal Infocursos, tendo presente que arranca já no próximo dia 17 o Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior (CNAES). Dados que permitem perceber que dos 63 cursos com taxa de desemprego zero, 47 eram de instituições públicas, 51 diziam respeito a licenciaturas e 43 pertenciam ao ensino universitário.

Só a Universidade de Lisboa responde por 24 cursos em que todos os diplomados arranjaram emprego. Feitas as contas ao número de diplomados daqueles cursos, 40% eram da maior universidade do país. Com destaque para o Instituto Superior Técnico: responde por 12,8% dos diplomados de cursos sem desemprego. Sendo que, recorde-se, no ano passado, dos cinco cursos com maior média de entrada, três eram do Técnico: dois não produziram desemprego e um (Engenharia Aeroespacial) registou uma taxa de 0,9%.

Tendo sido considerados os diplomados entre os anos letivos de 2013/14 e 2016/17, a mais recente estatística do Infocursos vem reafirmar o peso de Medicina quando se fala de empregabilidade no Superior: mais de metade dos diplomados de cursos que não mandaram ninguém para o desemprego eram de Medicina. Seguindo-se Enfermagem (6,6%).

Não deixando, porém, de surpreender o facto de os 111 licenciados de História de Arte da Faculdade de Letras de Lisboa, os 162 diplomados de Arquitetura do Técnico ou os 43 alunos de Jazz e Música Moderna da Lusíada. Todos arranjaram emprego. Em sentido inverso, os cursos de Serviço Social continuam a ser aqueles com maior taxa de desemprego (ver infografia). Face ao Infocursos 2018, note-se o facto de terem saído do top 10 de cursos com mais desemprego três de Arquitetura.

Primeira opção recua

Ainda de acordo com a mesma fonte de informação, no ano letivo 2017/2018, 41,4% dos candidatos a uma licenciatura no ensino superior público entraram na primeira opção do CNAES, o que representa um ligeiro recuo de cinco décimas face ao ano anterior. Já no privado, 70,9% dos estudantes de licenciatura ingressam por via de concurso local ou institucional.

Sobressai, ainda, o contínuo aumento do peso dos alunos estrangeiros no sistema de Ensino Superior português, nomeadamente nos mestrados - representam quase um quinto do total de alunos - e nas licenciaturas (10,8%). Destaque, por último, para o facto de licenciaturas e mestrados integrados terem as mais baixas taxas de desistência (9% e 3%, respetivamente), sendo ainda de realçar o aumento de alunos dos cursos TeSP que continuavam inscritos um ano após ingressarem no Superior (78,6%).

Conforme o JN noticiou ontem, naqueles ciclos de estudos é maior a percentagem, isso sim, de alunos que optaram por mudar de curso: 10%, nas licenciaturas; e 12%, nos mestrados integrados. Em sentido contrário, um em cada cinco doutorandos tinha abandonado os estudos ao fim de um ano.
A primeira fase do CNAES decorre entre o próximo dia 17 e 6 de agosto, sendo os resultados conhecidos a 9 de setembro. Ao JN, o ministro do Ensino Superior estimou já que "o número de candidatos deve andar muito próximo do do ano passado". Neste concurso, as universidades do Porto e Lisboa vão ter que aumentar entre 5% e 15% o número de vagas nos cursos que, no último concurso, só admitiram alunos com nota superior a 17 valores, num total de 12 cursos.