Tragédia Pedrógão Grande

Empresária diz ter confirmadas mais de 70 vítimas dos incêndios de Pedrógão

Empresária diz ter confirmadas mais de 70 vítimas dos incêndios de Pedrógão

Adensam-se as dúvidas quanto ao número exato de vítimas mortais dos incêndios de Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pêra. Isabel Monteiro, empresária de Lisboa, quer construir um memorial e das conversas com familiares, vizinhos, agências funerárias e bombeiros elaborou uma lista que cruzou com os nomes divulgados pela Imprensa e que publicou na sua página no Facebook.

Esta segunda-feira à tarde, Isabel tinha "confirmado" por esse processo mais de 70 nomes, apesar de os relatos recolhidos apontarem para uma estimativa que pode oscilar entre as "96 e 108" vítimas mortais.

O Ministério da Administração Interna voltou ontem a confirmar ao JN que "o número oficial de vítimas mortais é de 64". E que essa listagem nominal "está nas mãos do Ministério Público, na sequência da abertura de um inquérito, que está em segredo de justiça".

"Pressões políticas"

Da lista esta segunda-feira publicada por Isabel Monteiro, constavam os nomes de Manuel Costa e Diogo Costa. O primeiro, no entanto, apurou o JN junto de uma moradora do Nordeirinho, está vivo. Quem faleceu foi o seu filho, Diogo Costa, de 21 anos, e o tio Mário Carvalho. Isabel Monteiro garante que o jovem "terá estado desaparecido durante oito dias, apesar de as autoridades rejeitarem a existência de desaparecidos, e que a sua morte só terá sido confirmada por teste de ADN". Outro nome é o de José Rosa Tomaz, um dos feridos no incêndio que morreu no hospital. Este pode ser um dos casos que não constará da lista oficial de 64 vítimas já que a causa da morte apontada na autópsia é pneumonia. De acordo com uma vizinha, José Rosa Tomaz tinha problemas respiratórios.

Alzira Costa, que morreu atropelada quando fugia ao fogo e cujo nome foi divulgado anteontem pelo "Expresso", também não estará nos 64 mortos. O MAI já esclareceu que da lista oficial constam as vítimas diretas do incêndio que morreram devido a queimaduras ou inalação de fumo. Isabel Monteiro garante que os relatos que ouve apontam para "várias vítimas encontradas depois do balanço oficial que não foi atualizado". Caso de Leonor Silva Henriques e de Armindo Henriques Modesto, que terão morrido na EN236. A empresária garante que a população tem medo e lhe denuncia "pressões políticas".

Isabel Monteiro está a angariar dinheiro para a compra de animais e sementes que entrega diretamente aos populares.

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