Ferro Rodrigues

Ex-líder do PS assume que votaria em Marcelo se as presidenciais "fossem amanhã"

Ex-líder do PS assume que votaria em Marcelo se as presidenciais "fossem amanhã"

O presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, assume que votaria em Marcelo Rebelo de Sousa se as eleições presidenciais "fossem amanhã".

"Se [as eleições] fossem amanhã, não tinha dúvidas. Agora, vamos ter presidenciais muito tarde. Ainda faltam dois anos e tal", responde o ex-líder socialista e atual presidente do parlamento quando questionado se admite "votar no candidato presidencial Marcelo Rebelo de Sousa".

Numa entrevista publicada na edição desta quinta-feira do diário "Público", Ferro revela que na última eleição não votou no atual chefe de Estado, apesar de o PS não ter dado indicações de voto. Mas se optasse por Marcelo, seria a primeira vez a votar num candidato de outra área política.

"Desde que entrei para o PS, em nenhuma eleição deixei de votar no PS ou no candidato indicado pelo PS", salienta o antecessor de José Sócrates na liderança dos socialistas, embora afirmando ter um "feitio heterodoxo", mas ser também "um homem de partido".

"Não gosto de ortodoxias e decisões centralizadas que toda a gente tem de cumprir quer goste quer não", admite.

Para Ferro Rodrigues, é também necessário ver se Marcelo se recandidata e também o desempenho na reta final do mandato.

"Vamos ver como é a evolução dos próximos dois anos e vamos ver como é a relação entre um novo parlamento que vai existir e o Presidente nesta fase final do seu mandato", afirma.

Na entrevista ao Público, o ex-secretário-geral do PS afirma ter uma "relação muito boa" com Marcelo Rebelo de Sousa e ir "muitas vezes" a Belém, o que considera ser "muito interessante" porque "não era expectável". "Mas o Presidente, enquanto Presidente e enquanto pessoa, tem sido uma revelação muito positiva para mim", sublinha.

Sobre o futuro presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues considera que "Costa com certeza ouvirá o partido" e admite que o seu sucessor poderá ser Carlos César.

À pergunta "Se Carlos César quiser ser presidente da AR, dá-lhe o lugar tranquilamente?", Ferro responde: "Não vejo porque não. Não é dar o lugar. Acho que com certeza o secretário-geral do PS levará em conta o que pensa o partido, mas não quero adiantar-me a diligências que serão feitas mais tarde".

O presidente do parlamento aproveita a entrevista para advertir que "os deputados ou os membros dos cargos políticos não podem ser tratados como cães" ou "pior do que cães", ao referir-se a ataques de minorias que criam "problemas comportamentais do ponto de vista democrático".

Ferro considera ainda que "faz pouco sentido" os juízes receberem mais do que o primeiro-ministro, numa crítica implícita às propostas do PS de alteração ao Estatuto dos Magistrados Judiciais que abrem essa hipótese.

Ao Público, o ex-líder do PS defende ainda a necessidade de transparência quanto aos proprietários dos órgãos de comunicação social e considera que o exercício de inventariar as 'fake news', ou notícias fabricadas, "não é difícil".