
Arquivo/Global Imagens
A maior e mais importante autoestrada do país, a A1 (Porto-Lisboa), não tem patrulhamento garantido. Por falta de efetivos da GNR, há dias e zonas em que não há policiamento e, quando há, apenas uma patrulha está disponível, colocando em causa a segurança rodoviária.
Desde a extinção da Brigada de Trânsito (BT), em 2009, a então criada Unidade Nacional de Trânsito não consegue atrair profissionais. No último concurso, apenas um terço das poucas vagas foi preenchido.
O problema é sentido de forma generalizada ao longo dos 303 quilómetros da A1 e agudiza-se. São cada vez menos as ações de prevenção e fiscalização. As associações de militares têm alertado a hierarquia e o Governo. Na área de atuação do Porto, por exemplo, as patrulhas demoram a chegar aos locais de acidentes e se houver mais do que um em simultâneo, a situação piora. Também na área do posto da Feira, responsável pela A1 entre a Mealhada e Nogueira da Regedoura, assim como pela A41, de Espinho a Sandim, há cerca de um mês que só há uma patrulha, quando deveriam ser três. Ainda no passado domingo, último dia do mês e de grande movimentação de pessoas para férias, toda a zona esteve sem patrulhamento.
A falta de efetivos é flagrante
"A falta de efetivos é flagrante. Quem faz Porto-Lisboa vê que o patrulhamento não existe. Em muitos dias da semana. Não é só ao domingo, infelizmente", afirma César Nogueira, presidente da Associação dos Profissionais da Guarda. "Faço viagens em que não vejo uma única patrulha, nem para Norte, nem para Sul", garante. "Esse é um problema para o qual já alertamos várias vezes o ministério", acrescenta.
"É claro para qualquer pessoa que anda na autoestrada que há falta de patrulhamento. Portugal tem dos mais baixos rácios de patrulhamento", afirma Manuel Ramos, da Associação dos Cidadãos Automobilizados, lembrando que "a distância média entre patrulhas, noutros países é de 25 a 30 quilómetros, e em Portugal é de cerca de 150 quilómetros". Carlos Barbosa, presidente do Automóvel Clube de Portugal, também não tem dúvidas de que "há uma grande falta de patrulhamento em todo o lado. Desde que António Costa extinguiu a BT, foram todos colocados em comandos territoriais, o que lhes tirou o bom trabalho que estavam a fazer".
A média de 45 patrulhas diárias que o Comando da GNR diz terem sido feitas no primeiro semestre deste ano (ver texto em cima) também é contestada. Manuel Ramos considera-as "pouco exequíveis" e César Nogueira diz que se trata de uma "resposta política". Explica que "os postos sozinhos não conseguem garantir uma patrulha e fazem o chamado agrupamento de postos, em que são nomeados dois elementos de postos diferentes para uma patrulha apenas, mas são contabilizadas duas". Também José Alho duvida: "Os portugueses são testemunhas disso, comprovam-no", afirma.
Trânsito pouco atrativo
Para além da diminuição do efetivo após a extinção da BT, são poucos os militares que querem ir para o Trânsito, sobretudo por falta de compensação financeira. "Muitos vinham para a Guarda para ingressarem na BT", recorda César Nogueira. "Antigamente, havia um concurso para 100 militares e apareciam mil. Agora, não há elementos suficientes para as vagas", corrobora José Alho, presidente da Assembleia-Geral da ASPIG (Associação Sócio-Profissional Independente da Guarda), dando como exemplo um concurso recente em que, "para 41 vagas, só ficaram 15. E dos que ficaram, nove são dos PALOP e dois de Timor", precisou.
Para 41 vagas, só ficaram 15
A explicação estará, segundo os sindicalistas, nos complementos pagos que, no Trânsito, não chegarão aos 60 euros e noutras valências ultrapassam os 200.
