Inquérito

IPMA pergunta: "Sentiu o sismo de 1969?"

IPMA pergunta: "Sentiu o sismo de 1969?"

Mais de duas mil pessoas já responderam ao apelo do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) e contaram como sentiram o sismo de 28 de fevereiro de 1969, que abalou sobretudo o Sul do país e provocou 13 mortos. O inquérito, de âmbito nacional, vai decorrer até ao final de junho.

Foi o maior sismo na Europa desde o grande terramoto de Lisboa de 1755. O sismo, de magnitude 7,9 na escala de Richter, provocou 13 vítimas mortais, arrasou aldeias e deu azo a um pequeno tsunami. O Algarve foi a região mais afetada, por ser a que estava mais próxima do epicentro, localizado a cerca de 200 quilómetros a sudoeste de Sagres. Em Lisboa, o sismo foi sentido com intensidade VI na escala de Mercalli, ou seja, foi um terramoto "bastante forte". Aliás, o sismo foi sentido em Marrocos, mas também em Bordéus e nas Canárias.

Para assinalar o 50.º aniversário do sismo, quatro instituições juntaram-se e decidiram lançar um inquérito nacional online para recolher depoimentos de pessoas que testemunharam o terramoto, para complementar, assim, os poucos registos instrumentais que existiam à época. O inquérito macrossísmico, promovido pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), Instituto Superior Técnico, Faculdade de Ciências de Lisboa e laboratório associado ao Instituto Dom Luiz, vai decorrer até ao final de junho.

Desde fevereiro, já responderam ao inquérito 2629 pessoas, a maior parte das quais da zona de Lisboa (1405), o que, para Fernando Carrilho, do IPMA, faz sentido, uma vez que era na capital "que grande parte da população estava concentrada". Segue-se a zona do Porto (231 respostas) e do Algarve (209 respostas).

Fernando Carrilho acredita, contudo, que a participação ainda vai aumentar, pela experiência em inquéritos passados. "Por exemplo, fizemos um para o sismo de 2009 e responderam cerca de quatro mil pessoas em dois ou três dias", recorda.

Acresce que os promotores do inquérito lançaram um desafio à comunidade escolar, para que seja possível chegar a um maior número de pessoas. Basicamente, os alunos devem encontrar um adulto que tenha sentido e se lembre do sismo. Depois, em conjunto com esse adulto, preenche o inquérito online e, no final, identifica a sua escola para que se candidate a receber um prémio.

"Pretendemos olhar para a distribuição das intensidades do sismo, com base nesses testemunhos", refere Fernando Carrilho, do IPMA, convicto de que deverão existir conclusões em meados de julho.

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