Indignação

Jantar da Web Summit no Panteão Nacional causa polémica

Jantar da Web Summit no Panteão Nacional causa polémica

A utilização do Panteão Nacional para um jantar exclusivo que assinalou o encerramento da Web Summit está a gerar controvérsia, merecendo críticas nas redes sociais.

O jantar da "Founders Summit", onde só participaram algumas dezenas de pessoas escolhidas pela organização, decorreu na sexta-feira à noite, no espaço central do Panteão, junto aos túmulos de personalidades como Amália, Eusébio, Almeida Garrett e Sophia de Mello Breyner Andresen.

"Com o tempo, e com as incertezas da sabedoria, inquietamo-nos sobre a justeza de certas opiniões pessoais. Seremos nós quem não está a ver bem as coisas? Aconteceu-me agora. Ajudem-me: acham mesmo normal que o jantar final do Web Summit seja entre os túmulos do Panteão Nacional", escreveu o embaixador Seixas da Costa, que partilhou uma foto do evento e foi acompanhado pelas críticas de outros internautas.

Há ainda um vídeo do jantar a circular entre utilizadores do Twitter:

Ainda que o jantar possa suscitar dúvidas, o facto é que o Panteão é um dos Monumentos Nacionais disponíveis para serem cedidos para eventos privados.

"O Panteão Nacional disponibiliza alguns espaços únicos para organização de jantares de gala, recepções, cocktails, concertos, lançamento de livros, simpósios, conferências, seminários e colóquios. Para além dos eventos referenciados, poderão ser autorizados outros, consentâneos com as características e condições do monumento", pode ler-se no site oficial.

A tabela de preços do espaço está publicada em Diário da República e mostra que só a Sala Sul não está disponível para jantares. O Corpo Central está disponível por três mil euros, o Coro Alto por 2500 euros, o Terraço por três mil e o Adro por quatro mil euros. A estes valores acrescem o IVA e custos de "vigilância/guardaria", caso o evento decorra fora das horas de funcionamento do espaço.

23 imóveis históricos alugam espaços

Desde 2014 que são 23 os imóveis históricos que alugam os seus espaços a privados para ali promoverem jantares, festas, eventos culturais ou sociais e até filmagens. O objetivo é o da captação de verbas que ajudem à sua sustentabilidade e preservação.

Os monumentos mais requisitados em 2016 foram o Mosteiro dos Jerónimos, onde os preços começam nos três mil euros, mas podem ir até aos 40 mil, e o Palácio Nacional da Ajuda, onde o aluguer oscila entre os 2500 e os 7500 euros.

Outros monumentos muito requisitados são o Museu Nacional dos Coches (pode alugar o salão nobre para jantares desde que desembolse 10 mil euros) e o Mosteiro de Alcobaça. Ao longo dos últimos três anos de vigência do diploma, a receita cobrada com a cedência de espaços foi de mais de um milhão e 161 mil euros.

Na tabela relativa ao aluguer de espaços em monumentos e museus, um dos mais baratos é o Museu Monográfico de Conímbriga, cujo aluguer de sala custa entre 50 e 1500 euros. No Museu Soares dos Reis, no Porto, os preços estipulados também são mais acessíveis, entre os 500 e os dois mil euros.

De acordo com os dados da DGPC, verificou-se um crescimento de 2014 para 2015, mas houve um decréscimo de 2015 para 2016.

Alugueres polémicos

"A cedência de espaços é muito irregular", justificou, em julho, ao JN a diretora-geral do Património Cultural, Paula Silva. A mesma responsável adianta que "a cedência de espaços representa 2,22% do total da receita arrecadada em 2016". E esclareceu que "a lei do enquadramento orçamental não permite a consignação de receita à despesa. Todas as receitas cobradas são centralizadas na DGPC, bem como todas as despesas. Assim, as despesas dos serviços são pagas com receita própria arrecadada".