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Jovens pelo clima pedem declaração de emergência climática

Jovens pelo clima pedem declaração de emergência climática

Matilde Alvim, 17 anos, de Palmela, a precursora da greve estudantil em Portugal, insurge-se contra o Ministro do Ambiente por este se recusar a declarar "Estado de emergência climática". Na próxima sexta-feira os estudantes voltam a fazer greve e este será um dos seus apelos.

Uma vez que o ministro se recusou a decretar emergência climática, explica a jovem, este será um dos objetivos do protesto: "Pressionar para que em Portugal também se declare a emergência climática". O Reino Unido foi o primeiro país a fazê-lo e Irlanda o segundo.

Matilde estava preparada para reagir às declarações do ministro do Ambiente João Pedro Matos Fernandes, proferidas na semana passada. "O ministro disse que foi um mero passo simbólico para esses países, uma vez que nada mais se fez para reduzir as emissões de gases efeito estufa. Mas eu digo-lhe que precisamos de símbolos e que esse é um passo mínimo importante".

"Podemos estar a falar de uma etiqueta", reconhece, "no entanto, a etiqueta serve para traduzir o reconhecimento de que vivemos numa situação extremamente grave e que é preciso agir e avançar para ações concretas".

Entre as reivindicações prioritárias, a jovem destaca a proibição da exploração de gás natural na Batalha e em Pombal; o chumbo do plano do troço de gasoduto que atravessará uma parte dos distritos da Guarda e Bragança; assim como planos para substituir as centrais elétricas de Sines e Pego, que incluam requalificação dos trabalhadores.

A quatro dias da segunda greve, marcada para dia 24, em Lisboa, desta vez com partida na praça Marquês do Pombal, Matilde conta já mais 10 núcleos estudantis do que na edição anterior (que teve 29) e novos distritos a participar, como é o caso de Beja. "Notamos uma maior adesão. Além das vigílias que temos feito em Lisboa, também se fez vigília na semana passada em Viana do Castelo".

"É uma boa moda"

Agora, sublinha, mostrando um discurso sensato e prudente, "não se consegue prever o que vai acontecer desta vez". Na primeira manifestação da greve pelo clima, que aconteceu a 15 de março, juntaram-se 20 mil estudantes e às 9.30 da manhã, recorda, emocionada, a Praça Luís de Camões, em Lisboa, estava repleta de jovens a fervilhar de entusiasmo. Por outro lado, "era a primeira vez e havia novidade em tudo isto", declara.

Desta vez, o protesto começa na Praça Marquês do Pombal e seguirá pela rua Braamcamp - refere a medo, porque não conhece bem Lisboa - até à Assembleia da República.

Matilde Alvim seguia os passos de Greta Thunberg, a jovem ativista sueca que lidera este movimento que se propõe contrariar o aquecimento global, quando se lembrou de propor aos amigos através do Instagram uma greve às aulas para alertar para os problemas do clima.

Estes últimos meses foram de uma aprendizagem gigantesca. "Nunca tinha estado em contacto com estruturas organizativas e evoluí muito em conhecimento, tanto em informação política como científica, sobre a crise climática. Estou, sem dúvida, muito mais atenta em relação ao que se está a passar", afirma. Defende ainda que é apenas uma das jovens mais atentas. "Os jovens de hoje estão preocupados com o que está a acontecer à sua volta ao contrário do que se quer fazer passar".

Perguntamos, entretanto: "As alterações climáticas entraram na agenda política e constam inclusive dos programas eleitorais. Não está também na moda?". "Deixou de ser uma nota de rodapé", responde. "E, sim, também se tornou uma moda, mas é uma boa moda. A emergência climática tornou-se uma boa moda".