Assalto

Marcelo "preocupado" exige "esclarecimento cabal" do caso de Tancos

Marcelo "preocupado" exige "esclarecimento cabal" do caso de Tancos

A presidência da República emitiu uma nota a reafirmar que espera o total esclarecimento do furto de armas em Tancos, em 2017.

"O Presidente da República reafirma, de modo ainda mais incisivo e preocupado, a exigência de esclarecimento cabal do ocorrido com armamento em Tancos", lê-se na nota colocada ao início deste sábado, na página oficial da Presidência da República Portuguesa.

Segundo o curto texto, Marcelo "tem a certeza de que nenhuma questão envolvendo a conduta de entidades policiais encarregadas da investigação criminal, sob a direção do Ministério Público, poderá prejudicar o conhecimento, pelos Portugueses, dos resultados dessa investigação".

"Que o mesmo é dizer o apuramento dos factos e a eventual decorrente responsabilização", acrescenta a breve nota de Marcelo. Emitida no mesmo dia em que foi conhecida a primeira página do semanário "Expresso" de sábado, na qual se diz que, ao contrário do divulgado pelo Exército e pelo Ministro da Defesa, o Ministério Público diz que ainda há material militar desaparecido e que há granadas e explosivos que não foram encontrados, a nota reforça a posição assumida pelo presidente da República no dia 28 de junho, quando se completou um ano sobre o assalto em Tancos.

O Presidente da República reafirma, uma vez mais, a sua posição de querer ver apurados integralmente os factos e os seus eventuais efeitos jurídicos e criminais, para os quais é essencial o papel do Ministério Público", referia uma nota publicada também no "site" da Presidência, a 28 de junho, assinalando que passava um ano sobre o assalto.

No texto era recordado que estão em causa, entre outras, suspeitas da prática dos crimes de associação criminosa, tráfico de armas internacional e terrorismo internacional.

A nota do Presidente, que é também Comandante Supremo das Forças Armadas, lembrava que, no dia 4 de julho de 2017, foi divulgada uma nota informativa da Procuradoria-Geral da República referindo expressamente que "'face a notícias relativas ao desaparecimento de material de guerra ocorrido em Tancos foram, desde logo, nos termos legais, iniciadas investigações'".

Na sequência de análise "aprofundada" dos elementos recolhidos, o Ministério Público apurou que tais factos, "se integram numa realidade mais vasta", acrescenta o comunicado da Presidência da República.

"Atenta à natureza e gravidade destes crimes e os diferente bens jurídicos protegidos pelas respetivas normas incriminadoras, o Ministério Público decidiu que a investigação relativa aos factos cometidos em Tancos deveria prosseguir no âmbito de um inquérito com objeto mais vasto a ser investigado no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP)", sublinha a nota do Presidente da República.

No dia seguinte, 29 de junho, confrontado pelos jornalistas, Marcelo sublinhou que "a memória não prescreve" e enfatizou a necessidade de um esclarecimento cabal.

"Qualquer que seja o resultado dessa averiguação, importa que os portugueses o conheçam", disse. "O Presidente não se envolve no tempo da justiça, limita-se a dizer em voz alta o que os portugueses pensam em voz baixa", acrescentou.

Marcelo Rebelo de Sousa frisou que os portugueses, um ano depois do furto de armas Tancos, continuam interessados em saber o que se passou, o mesmo se passando com o Presidente.

No dia 2 de abril, Marcelo Rebelo de Sousa referiu que tinha lido o relatório do Governo sobre Tancos tendo sublinhado a investigação judicial e reafirmando que aguardava a clarificação dos factos e a identificação dos responsáveis.

O relatório do Governo apresentava um resumo histórico dos paióis de Tancos desde a origem e as "constantes dificuldades e insuficiências", descrevendo os sistemas de proteção e de vigilância.

O documento elaborava uma cronologia dos acontecimentos, estabelecendo o enquadramento jurídico e as competências legais, as ações desenvolvidas pelo Ministério da Defesa e pelos ramos militares, em especial o Exército.

No relatório, intitulado "Tancos 2017: Factos e documentos", o Ministério da Defesa admitia como "evidentemente legítima" a pergunta de "quem, quando, porquê e como perpetrou o furto de material de guerra nos Paióis Nacionais de Tancos".

O Exército divulgou em junho do ano passado o desaparecimento de material militar dos paióis de Tancos - entretanto desativados - que foi recuperado pela Polícia Judiciária Militar em outubro, a 21 quilómetros do local.

No dia 1 de março, na posse do Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, o Presidente da República defendeu uma investigação "mais longe e a fundo" aos casos que envolveram as Forças Armadas nos últimos tempos, como o de Tancos.

ver mais vídeos