
Um casal a residir em Gavião, concelho de Vila Nova de Famalicão, tem os filhos na catequese e em aulas de religião e moral
Paulo Jorge Magalhães / Global
Este ano letivo estão inscritos em Educação Moral e Religiosa 183 429 alunos do 1.º ao 12.º ano. São menos 8308 do que no ano passado e quase menos 82 mil do que em 2010/2011, quando estavam matriculados 265 372.
O Ministério da Educação assume, em resposta enviada ao JN, que "em números absolutos há uma redução que não é totalmente explicada pela tendência demográfica". Comparativamente com o total de alunos inscritos no Básico e Secundário, os que optam por frequentar Moral e Religião são este ano cerca de 16,4% (menos de um quinto do total). No período entre 2008 e 2015, essa percentagem oscilou entre os 19% e os 21%.
A disciplina é de oferta obrigatória em todos os agrupamentos, mas a sua frequência é facultativa. No 1.º Ciclo, é lecionada através da oferta de escola, sendo um número residual.
Diversidade sem culto
O agrupamento do Carregado é um caso de exceção que contraria a tendência nacional: não só o número de alunos inscritos em Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC) se tem mantido estável, como há pelo menos dez anos que a escola também oferece religião Evangélica. O motivo é facilmente explicado: a região tem uma grande comunidade de origem brasileira, explica o diretor Alberto Seco.
O número de inscritos em Educação Moral e Religiosa Católica e Evangélica nem sequer difere muito. Se na primeira opção estão matriculados entre 80 e 100 alunos, do 1.º ao 9.º ano, na segunda são cerca de 70, num total de 1200 alunos da escola. O diretor Alberto Seco diz que não se consegue rever na estatística nacional. O agrupamento tem uma "semana da Religião", tal como tem da Ciência ou do Ambiente. Nesses dias, há dois anos que são promovidos encontros onde participam padres e pastores. O plano de atividade anual das duas disciplinas é, aliás, organizado em conjunto. Há três anos, por exemplo, a escola foi animada por uma banda jazz evangélica norte-americana. Momentos importantes de partilha de conhecimento, mas que também fomentam a tolerância e inclusão, acredita o diretor. No agrupamento não se realizam, no entanto, cerimónias religiosas. "A escola não deve ser um local de culto", frisa.
Pais desvalorizam opção
Para o presidente da Associação Nacional de Diretores (Andaep), o facto de EMRC ser uma opção contribui para a diminuição de inscritos. "Não tem nota e basta isso para os pais desvalorizarem", aponta Filinto Lima. Além disso, explica, estas aulas têm de ser colocadas no primeiro ou último tempo dos horários, para não criar furos, e isso desincentiva quem quer chegar mais tarde ou sair mais cedo.
Os programas, sublinha, estão longe de se resumir à religião. "São temas muito atuais. Aulas muito diferentes porque permitem grande participação aos alunos. Regra geral, há uma grande empatia com estes professores", explica Filinto Lima.
O presidente da Confederação Independente de Pais (CNIPE), Rui Martins, sublinha que, além da demografia e dos horários, as igrejas estão mais vazias e que isso também se reflete na procura da disciplina. "Até pensei que a quebra fosse maior".
