Planeta

Milhares de jovens juntos pelo clima em todo o país

Milhares de jovens juntos pelo clima em todo o país

Marquês, em Lisboa, República, no Porto. Duas das praças que se encheram de milhares jovens em luta pelo clima. Mas as manifestações decorrem em todo o país, esta sexta-feira.

Milhares de jovens saíram à rua, esta sexta-feira de manhã, em luta pelo clima, alinhados pela manifestação mundial de alerta. Lisboa, Porto, Coimbra, Braga e tantas outras cidades portugueses, para um total de 51 localidades que se juntaram ao protesto que se fez ouvir numa centena de países.

No fim do protesto, que segundo os organizadores juntou mais de 12 mil pessoas, os jovens manifestaram a vontade de ser associarem aos sindicatos para uma greve geral, a 27 de setembro, data do terceiro protesto de estudantes em defesa do clima. O primeiro foi a 15 de março.

Em Lisboa, esta sexta-feira, os manifestantes dirigiram-se para a Assembleia da República, onde se concentraram para exigir medidas aos governantes. "Não há planeta B", gritavam. "Governo escuta, os estudantes estão em luta", ouviu-se, ainda, numa rua de São Bento repleta de jovens. À frente algumas mães com carrinhos de bebé.

Um grupo de estudantes fez um cordão humano na escadaria da Assembleia enquanto esperava pelos restantes jovens da manifestação. "É para ninguém subir a escadaria", dizem.

Deputados dos Verdes, PCP, PAN e CDS estiveram à espera dos estudantes em greve. Falaram aos jornalistas para dizer que estão solidários e que estas causas são de todos.

No Marquês, entre o fumo dos carros a defender o clima

Os jovens começaram a manifestação no Marquês de Pombal, cerca das 10.30 horas, ainda com o trânsito a circular na rotunda. Mais que uma ironia, de se verem jovens em luta pelo clima cercados de emissores ambulantes de CO2, o perigo que representava para os estudantes a manifestar-se no Marquês de Pombal.

"Uma manifestação do clima com estes carros todos a passar", diz um dos jovens ao JN. Um agente da PSP, no local, disse que não lhes foi pedido para fechar o trânsito e que não sentiram que fosse necessário.

Os jovens mostram-se criativos. Fazem ondas e põem-se a correr. "É uma forma orgânica de nos manifestarmos", diz Vicente Silvestre, 19 anos, que veio de flauta. "Esta manifestação está mais enérgica e criativa", declara o jovem, que estudou música no Conservatório e agora cursa engenharia aeroespacial.

Rua cheia pelo Porto até aos Aliados

"O mundo está tão quente como Leonardo de Caprio", podia ler se num dos cartazes exibidos pelos jovens, em Lisboa e no Porto, entre aqueles que já se tornaram comuns nas manifestações, como críticas ao capitalismo e ao egocentrismo.

"Eco not ego", Ecologia em vez de egoísmo, também se ergueu no Porto, na praça da República, onde muitas centenas de jovens se concentraram, para o início de uma marcha que os leva, por Santa Catarina, até à Avenida dos Aliados. Seriam largas centenas, talvez dois ou três mil, a encher as ruas até à Baixa da Invicta.

Em Coimbra, cerca de 200 manifestantes foram até à Câmara

Cerca de duas centenas de jovens marcham, esta sexta-feira, numa manifestação pelo clima, aderindo à segunda greve às aulas para alertar para as alterações climáticas.

"Sr. ministro, diga por favor porque é que no inverno ainda faz calor" é uma das questões dos manifestantes, que marcham da Praça da República até à Câmara Municipal, num percurso de cerca de 500 metros.

"Passaram dois meses e não se fez nada", entende Carolina Silva, porta-voz do movimento em Coimbra, acusando o ministro do Ambiente de não ouvir as reivindicações dos jovens.

A adesão foi consideravelmente mais baixa do que a da manifestação de 15 de março, uma redução que a jovem disse esperar. "É uma altura de testes e aproximam-se os exames", justifica.

Centenas de estudantes manifestaram-se pelo clima em Braga

Cerca de 250 estudantes, sobretudo de escolas secundárias de Braga, manifestaram-se, esta sexta-feira de manhã, no centro da cidade, pedindo "mais ação governamental para a crise climática que está a acontecer em todo o Mundo", afirmou Bernardo Almeida, da organização.

"Queremos assegurar um melhor futuro para todos os jovens e pessoas em geral", salientou o estudante da Escola Secundária Alberto Sampaio, na Praça da República, que serviu de ponto de encontro da comunidade escolar. Depois, seguiram pela Rua do Souto até à Praça do Município, com palavras de ordem e cartazes no ar.

* com Augusto Correia