Protesto

Milhares de professores na avenida: "Vamos até ao fim nesta guerra"

Milhares de professores na avenida: "Vamos até ao fim nesta guerra"

João Dias da Silva, da FNE, deu o tiro de partida: "os professores não vão desistir do que é legal e justo". Ou seja, vão exigir aos partidos que fiscalizem o Governo e recorrer aos tribunais.

Ainda não eram 15 horas, milhares começavam a reunir-se na Alameda D. Afonso Henriques para começarem a descer a avenida Almirante Reis, em Lisboa.

Júlia Azevedo, presidente do Sindicato Independente de Professores e Educadores (SIPE) garante que sozinhos ou em plataforma vão avançar com ação judicial contra o Governo, a partir de janeiro, por incumprimento da lei do Orçamento do Estado e na Organização Internacional do Trabalho. Uma queixa no tribunal europeu só pode avançar depois de uma deliberação nacional. O decreto-lei aprovado quinta-feira pelo Governo, garante, é "ilegal" e "inconstitucional" por permitir a ultrapassagem dos 46 mil professores que progridem este ano e de nada servir para quem está no 9.º e 10° escalões.

"A esperança é a última a morrer. Vamos até ao fim nesta guerra", frisa. A seu lado, os professores pediam a demissão do ministro Tiago Brandão Rodrigues.

Beatriz Fontinhas, educadora de infância, 56 anos de idade, 28 de serviço - está no 3.º escalão e só em 2021, com 59 anos, progredirá para o 4.º. A aposentação, estima, deve chegar a meio da carreira. Além da saída do ministro pede ao presidente da República que olhe pelos seus colegas professores porque, elogios bonitos - como o de dizer que a classe portuguesa é a melhor do mundo - não chega. A seu lado, Filipe Abreu, professor de Português de Barcelos também pedia a demissão de Brandão Rodrigues. Tem 48 anos, 24 de serviço e está no 3.º escalão desde 2005 e só em 2019 atingirá o 4.º, de onde não sabe quando sairá porque o 5.º está condicionado por vagas

No palco, junto ao Instituto Superior Técnico, José Abraão da Federação de Sindicatos da Administração Pública (FeSAP) garantia que não vai abandonar os professores porque não há funcionários de primeira e de segunda categoria.

"Somos contra os apagões da vida de quem trabalha", sublinhava o líder da UGT, Carlos Silva.

A ouvi-lo, Carla Machado, professora de 1.º ciclo, em Vila Nova de Gaia: quase 19 anos de serviço, ainda no 1.º escalão. Entrou nos quadros em 2005. Desde então já suportou dois congelamentos e uma revisão da carreira e, por isso, continua sem progredir. Outro exemplo. Manuela Diogo, professora de Matemática, de Felgueiras, está no 2.º escalão porque vinculou em 2006 e foi reposicionada em 2007. Estas duas professoras vão ser ultrapassas na carreira por todos os docentes que entraram nos quadros desde 2011 e vão ser abrangidos pelo atual reposicionamento. Sentem-se esquecidas e na manifestação pediam por justiça.

O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, defendeu que os professores têm "a força da razão" do seu lado, que se irá sobrepor "à arrogância e à força do poder do Governo".

A deputada do Bloco de Esquerda Joana Mortágua reiterou que caso o presidente da República promulgue o diploma relativo à recuperação do tempo de serviço dos professores, o partido avançará com um pedido de apreciação parlamentar. O Governo "não cedeu um milímetro" na negociação com os professores, tendo até saído desta "de forma unilateral e até arrogante".

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