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Militares debaixo de fogo na República Centro-Africana

Militares debaixo de fogo na República Centro-Africana

Os militares portugueses na República Centro-Africana (RCA) estiveram esta quinta-feira em combate em Bambari, cidade a 400 quilómetros da capital, Bangui.

"Os paraquedistas portugueses da 4.ª Força Nacional Destacada, em missão na República Centro-Africana ao serviço das Nações Unidas, foram empenhados esta tarde para uma operação de manutenção da paz, após um ataque violento de um grupo armado no centro da cidade de Bambari", indicou o Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA), em comunicado.

Estes militares, que integram a missão da ONU no país (MINUSCA, na sigla em inglês), "estiveram cinco horas em combate direto com elementos do grupo armado ex-Seleka UPC (União para a Paz na República Centro-Africana), com o objetivo de proteger civis e restabelecer a paz, entrepondo-se entre o grupo opositor e a população civil indefesa".

Pelo menos dois polícias morreram devido ao ataque do UPC, um dia depois de a violência em Bangui ter provocado outras seis vítimas mortais. No hospital dos Médicos Sem Fronteiras em Bambari foram assistidas três dezenas de feridos por balas.

O texto do EMGFA salientou também que "os militares portugueses encontram-se todos em segurança".

O grupo armado mencionado recorreu, na sua ofensiva, a "armamento pesado, em demonstração de capacidade de controlo do comércio local, colocando civis no fogo cruzado durante o confronto com as Forças Armadas centro-africanas (FACA)", segundo o EMGFA.

Estes milicianos pretendem "disputar recursos e cobrar ilegalmente impostos à população", ainda segundo o EMGFA, que acrescentou que "a entrada do grupo armado em Bambari provocou a debandada precipitada da população para fora da cidade, ameaçando a estabilidade, a segurança e a liberdade de circulação".

A RCA caiu no caos e na violência em 2013, depois do derrube do ex-presidente François Bozizé por vários grupos juntos na designada Séléka (que significa coligação na língua franca local), o que suscitou a oposição de outras milícias, agrupadas sob a designação anti-Balaka.

O conflito neste país, com o tamanho da França e uma população que é menos de metade da portuguesa (4,6 milhões), já provocou 700 mil deslocados e 570 mil refugiados, e colocou 2,5 milhões de pessoas a necessitarem de ajuda humanitária.

O governo do presidente, Faustin-Archange Touadéra, um antigo primeiro-ministro que venceu as presidenciais de 2016, controla cerca de um quinto do território.

O resto é dividido por 18 milícias que, na sua maioria, procuram obter dinheiro através de raptos, extorsão, bloqueio de vias de comunicação, recursos minerais (diamantes e ouro, entre outros), roubo de gado e abate de elefantes para venda de marfim.

Portugal participa na Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização da República Centro-Africana (MINUSCA), desde o início de 2017, com uma companhia de tropas especiais, a operar como Força de Reação Rápida.

A MINUSCA é comandada pelo tenente-general senegalês Balla Keita, que já classificou as forças portuguesas como os seus 'Ronaldos'.

Portugal tem 230 militares empenhados em missões na RCA, dos quais 180 na MINUSCA - uma companhia de paraquedistas e elementos de ligação - e 50 na Missão Europeia de Treino Militar-República Centro-Africana (EUMT-RCA).

A importância da participação portuguesa é ainda salientada pelo facto de o 2.º comandante da MINUSCA ser o general Marco Serronha e o comandante da EUMT-RCA ser outro oficial general português, o brigadeiro-general Hermínio Teodoro Maio.