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Ministro do Ambiente vai reunir com estudantes da greve pelo clima

Ministro do Ambiente vai reunir com estudantes da greve pelo clima

Uma equipa de cinco membros da organização Greve Estudantil Climática vai ser recebida terça-feira pelo Ministro do Ambiente e pelos secretários de Estado da Educação e da Energia.

O encontro realiza-se a poucos dias da manifestação de dia 15, na próxima sexta-feira, em cerca de 20 locais do país, cidades e vilas e, em simultâneo, com protestos em 50 países. Os organizadores da iniciativa - greve às aulas para chamar a atenção sobre o impacto das alterações climáticas - tinham solicitado um encontro com o secretário de Estado da Educação, João Costa, para o dia do protesto.

Na última quinta-feira, no Porto, um grupo de estudantes aproveitou a conferência protagonizada pelo ativista Al Gore para contactar informalmente o ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, com o mesmo objetivo: serem ouvidos. Resolveu então propor-se um só encontro com os três responsáveis do Governo diretamente envolvidos nos temas relacionados com o clima.

A reunião vai acontecer terça-feira nas instalações do Ministério do Ambiente. Matilde Alvim, Margarida Marques, Beatriz Barroso, Duarte Antão e Rita Vasconcelos, vão representar o movimento nacional.

Os vários núcleos ligados à organização dos protestos locais vão estar atentos ao desfecho deste encontro. Refira-se que estão previstas manifestações nos grandes centros, Lisboa, Porto e Coimbra, mas também em aglomerados mais pequenos como Barcelos, Ourém e Fornos de Algodres. Esta segunda-feira, somavam-se cerca de 20 manifestações e a toda a hora os organizadores recebem novas confirmações de adesão ao protesto global de dia 15.

Matilde Alvim, de 17 anos, aluna da Escola Secundária de Palmela, a principal impulsionadora deste movimento em Portugal, adianta que estão a preparar a reunião apoiando-se no manifesto composto pelas reivindicações específicas para Portugal, e destaca o fim da exploração dos combustíveis fósseis, o investimento nas energias renováveis e o fecho da central termoelétrica de Sines.

Duarte Antão, 18 anos, aluno do primeiro ano de Direito, na Universidade de Coimbra, outro dos que amanhã será recebido pelos governantes, explica que é preciso avançar com medidas para encerrar as centrais de energias termoelétrica, ainda movidas a carvão, localizadas em Sines e no Pego. "Não nos venham dizer que o problema está na extinção de postos de trabalho", atira, "porque ainda há pouco tempo soubemos de uma empresa de painéis solares que fechou e, nesse caso, ninguém se preocupou com os postos de trabalho".

Em síntese, "vamos apresentar as preocupações dos jovens, porque nas questões do ambiente não estamos melhor". "É um assunto de real urgência", alerta Duarte Antão, "temos 12 anos até que o problema se torne irreversível". "Temos 12 anos até isto explodir", insiste. "Depois, restará pôr um penso na fratura exposta"

Duarte Antão reconhece que o seu sentido de alerta para estas questões saiu reforçado depois dos incêndios que alastraram pela zona centro em 2017. "Há mais catástrofes naturais e com maior intensidade. Senti isso na pele durante os incêndios. A zona centro foi bastante afetada".

Matilde Alvim, a jovem que começou a interpelar os amigos através do Whatsapp e Instagram para esta iniciativa global, já se emociona quando pensa que a manifestação vai mesmo acontecer em Portugal, tal como em 50 outros países. "É de arrepiar".

O movimento internacional "SchoolStrike4Climate", criado pela jovem sueca, Greta Thunberg, tem tido um eco que não para de crescer. A jovem de 16 anos discursou no Fórum Económico Mundial de Davos e recebeu na semana passada convite do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, para discursar no parlamento vizinho. Os pais de Greta explicaram, entretanto, que a jovem só viaja de comboio e em poucos dias era impossível deslocar-se até Espanha. O objetivo era que fosse ouvida antes da greve pelo clima de 15 de março.

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