
Pedro Correia/Global Imagens
Incêndios em habitações, quedas em lareiras e inalação de monóxido de carbono na origem das mortes. 74% dos portugueses sentem frio em casa e formas mais económicas de o combater mostram-se fatais.
Entre o primeiro dia do mês de novembro e esta sexta-feira, morreram 19 portugueses a tentar aquecer-se em casa. Ora por causa de incêndios na habitação, provocados por más ligações elétricas ou anomalias com equipamentos de aquecimento (como aquecedores e cobertores elétricos), ora com origem em lareiras, até quedas e inalação de monóxido de carbono, das 19 ocorrências (contabilizadas pelo JN através de notícias veiculadas na Comunicação Social), houve ainda 21 pessoas que ficaram desalojadas.
A maioria das mortes dão-se no interior do país e com pessoas mais idosas que vivem sós. "É uma questão sobretudo social, de pessoas que estão sós e que não deveriam estar", disse ao JN fonte do Instituto Nacional de Proteção Civil (ANPC).
Durante todo o ano de 2018, morreram 31 pessoas nas mesmas circunstâncias. O caso de Fermentões, em Sabrosa, numa noite fria de novembro do ano passado, em que duas crianças e três adultos morreram por inalação de monóxido de carbono de um gerador, é o mais trágico em toda esta contabilidade.
Segundo a ANPC, tem havido um aumento do número de incêndios urbanos habitacionais (em 2018 houve 2925, quase mais 300 que no ano anterior) tendo morrido 39 pessoas em 2017, 21 mortes tiveram como origem incêndios com lareiras, 15 com salamandras e três com aquecedores.
Incêndios urbanos
Segundo a ANPC, os incêndios urbanos são os mais mortíferos, em especial durante os meses mais frios do ano: de novembro a fevereiro. O facto de a construção da maioria das casas portuguesas ser de fraca qualidade no combate ao frio está no topo da lista de causas que desencadeiam estas tragédias. As horas de maior risco, nestes casos, são as das refeições (almoço e jantar) ou de madrugada/manhã, quando o frio é mais intenso. Os prédios de habitação são, também, os mais propícios a incêndios urbanos.
Apesar das temperaturas em Portugal serem mais amenas, por exemplo, do que o Norte da Europa, a mortalidade invernal excessiva é de 28%, quando a do resto do continente ronda os 15%, de acordo com um estudo da Universidade de Dublin, de 2009. O facto de Portugal ter uma das eletricidades mais caras da União Europeia está em parte na origem do problema, já que, não tendo dinheiro para se aquecer, as famílias mais carenciadas procuram meios menos seguros.
De acordo com o resultado de um inquérito do Portal da Construção Sustentável sobre o conforto térmico em casa, realizado há dois anos em Portugal Continental, em parceria com a Quercus, 74% dos portugueses sentem frio em casa.
Detalhes
A lareira
No final do inverno, deve ser feita uma inspeção à lareira e limpeza da chaminé e instalar-se detetores de monóxido de carbono.
Os aquecedores
Os aquecedores elétricos devem ser revistos todos os invernos, para verificar falhas que possam provocar sobrecarga da corrente elétrica.
Monóxido de carbono
Deve manter-se o espaço arejado, seja numa sala aquecida por uma lareira, braseira ou qualquer outro sistema de queima ou mesmo quando se está a cozinhar.
Inverno mortal
8.11.18
Bragança
Mulher morre por inalação de fumo após fogo em casa.
18.11.18
Sabrosa
Cinco pessoas morrem devido a inalação de monóxido de carbono oriundo de gerador.
28.11.18
Coimbra
Estudante morreu na sequência de um incêndio devido a um aquecedor no quarto.
29.11.18
Moita
Casal morre em incêndio no quarto.
30.11.18
Porto
Centenária perde a vida num incêndio.
14.12.18
Cascais
Mulher morre em incêndio com origem num aquecedor.
22.12.18
Vieira do Minho
Homem carbonizado em incêndio em casa.
26.12.18
Lisboa
Reformada morre por inalação de monóxido de carbono num incêndio em casa.
02.01.19
S. João da Pesqueira
Casal morre devido a intoxicação por monóxido de carbono.
12.01.19
Vila Real e Oliveira do Bairro
Homem morre carbonizado após ter caído sobre a lareira.
Mulher encontrada morta junto à lareira.
13.01.19
Chaves
Paraplégico carbonizado num fogo em casa.
24.01.19
Arouca
Homem carbonizado após incêndio causado pelo cobertor elétrico.
