1940-2018

Morreu o jornalista e cónego Rui Osório

Morreu o jornalista e cónego Rui Osório

O jornalista e cónego Rui Osório morreu, esta quinta-feira, aos 77 anos.

Rui Osório morreu na Casa da Boavista, pelas 10 horas. Durante a tarde será trasladado para a Igreja da Foz, onde permanecerá em câmara ardente. Pelas 19 horas será celebrada uma missa de corpo presente.

Sexta-feira, pelas 10 horas, será trasladado para a Sé do Porto, onde permanecerá até às 15 horas, quando será oficiado o funeral pelo bispo do Porto, D. Manuel Linda. Irá a enterrar na freguesia do Olival, de onde era natural.

Rui Osório foi discípulo de D. António Ferreira Gomes (o bispo do Porto que Salazar exilou), fundou o jornal "Voz Portucalense", lutou contra a ditadura e teve elementos da polícia política (PIDE) a vigiar-lhe as missas e a gravar-lhe as homilias. Depois do 25 de Abril, com a bênção do seu bispo, foi, durante 28 anos, nosso camarada na redação no Jornal de Notícias, onde chegou a chefe de redação. Aos 65 anos, que completou em 2005, reformou-se - e estreou-se como pároco na Foz Velha.

Deixou de ir diariamente à sede do jornal, mas passou a ir todas as semanas, às sextas-feiras à tarde, para paginar a sua coluna sobre assuntos religiosos, publicada na edição de domingo.

Ordenado em 1964, Rui Osório começou a ganhar o gosto pela área da comunicação social nos últimos anos de estudante e até teve, durante dois anos, semanalmente, um programa na Rádio Renascença. Este programa radiofónico era gravado e transmitido, às quartas-feiras, na hora de almoço.

"Estava nos últimos dois anos letivos de Teologia e, enquanto se almoçava, os professores e colegas ouviam o programa: um teste todas as semanas", disse numa entrevista à agência Ecclesia.

Ainda estudante começou a "escrever prosa para alguns jornais", como gostava de contar, e os documentos do II Concílio do Vaticano foram objeto de muitas crónicas suas, ainda jovem estudante de Teologia.

Por sugestão do bispado, Rui Osório foi estudar jornalismo tendo-se para isso formado em Espanha. De regresso, uma das primeiras iniciativas em que participou foi a da criação do semanário da Diocese do Porto, a "Voz Portucalense". Esteve vários anos neste jornal e lutou com o chamado lápis azul antes da revolução de Abril.

Com o consentimento de D. António Ferreira Gomes, o padre e jornalista resolve profissionalizar-se e consegue trabalho no Jornal de Notícias em 1977. Aqui exerceu vários cargos tendo chegado a chefe de redação. Por opção própria, e cumprindo uma promessa feita ao seu bispo, nunca aceitou ser diretor do jornal, embora tenha sido várias vezes convidado para exercer a função.

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