Funeral

"Ó Costa, aguenta lá o SNS!", a memória de Costa sobre Arnaut

"Ó Costa, aguenta lá o SNS!", a memória de Costa sobre Arnaut

O primeiro-ministro, António Costa, contou esta terça-feira o que António Arnaut lhe disse, no passado sábado, quando ambos falaram ao telefone: "Ó Costa, aguenta lá o SNS!". Ouviram-se de imediato palmas das largas centenas de pessoas que enchiam a antiga igreja do Convento São Francisco, em Coimbra, no funeral, sem missa, daquele que é considerado o criador do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Costa respondera então ao presidente honorário do PS, hospitalizado: "Meu caro António Arnaut, vamos aguentar o SNS nesta geração e para as próximas gerações porque o SNS veio para ficar e é seguramente uma das grandes marcas do Portugal de Abril." António Costa terminou a sua intervenção com um: "Muito obrigado, António Arnaut!"

Por entre algumas músicas tocadas por elementos da Orquestra Clássica do Centro - a última das quais a partir do poema "Novo Céu", de António Arnaut - o filho do presidente honorário do PS não conseguiu evitar as lágrimas quando afirmou: "O SNS é o meu irmão mais novo." Já o presidente da Câmara de Coimbra, Manuel Machado, salientou que "a cidade e a Pátria estão de luto".

O funeral ficou marcado pela presença de inúmeras figuras de relevo. Entre elas o Presidente da República que, na véspera, chegara ao velório cerca das 22.45 horas para se sentar junto da viúva de António Arnaut. Esta terça-feira o chefe de Estado voltou a estar presente, a seguir ao almoço, mas ausentou-se pouco antes da chegada do primeiro-ministro.

Como que espelhando o reconhecimento unânime que Arnaut granjeou na sociedade portuguesa, o contingente de notáveis incluiu ainda nomes como Ferro Rodrigues, Adalberto Campos Fernandes, Manuel Alegre, Alberto Martins, Carlos César, Francisco Assis, Correia de Campos, Vasco Lourenço, Carlos Carvalhas, D. Xímenes Belo ou Miguel Guimarães.

Por vontade expressa de António Arnaut, o funeral realizou-se na antiga igreja do Convento São Francisco. Local onde, no início deste ano, foi apresentado o livro "Salvar o SNS", de António Arnaut e do bloquista João Semedo.

Na segunda-feira, dia da morte de Arnaut, já perto da meia-noite e depois da partida do Presidente da República, os irmãos maçons fecharam as portas da antiga igreja para efetuarem a "cadeia de união fúnebre". De resto, este local fica bem perto do apartamento onde Arnaut viveu, do local onde os maçons se reuniram durante vários anos e junto da estátua de outro insigne pedreiro livre da cidade, Bissaya Barreto, situada junto a uma das mais conhecidas criações deste, o Portugal dos Pequenitos.