Rebelião da Extinção

Os ambientalistas "rebeldes" que pararam o discurso de Costa

Os ambientalistas "rebeldes" que pararam o discurso de Costa

Ganharam notoriedade depois de terem parado Londres e obrigado a polícia a fazer quase mais de mil detenções. Deram-se a conhecer aos portugueses na segunda-feira ao interromper um discurso de António Costa, protestando contra a construção do novo aeroporto do Montijo. A Rebelião da Extinção quer alertar para os riscos que o Planeta corre face à poluição e prometem mais ações de protesto.

"Lamentamos estragar a vossa festa, mas o rio Tejo, aqui ao lado, a nossa cidade e as futuras gerações nada têm para celebrar", escreveram num comunicado publicado nas redes sociais, ainda antes da intervenção que lhes deu destaque mediático em Portugal.

Sem que nada o fizesse esperar, segunda-feira à noite, quatro jovens subiram para o palco dos oradores, onde estava António Costa, na celebração do 46º aniversário do PS, e começaram a lançar aviões de papel, mostrando, ainda, um cartaz em que se podia ler: "Mais aviões só a brincar". Ainda estiveram no palco alguns minutos, mas acabaram retirados pelos seguranças.

Este foi o último, e o mais mediático, dos dez atos que grupo preparou para a Semana Internacional de Rebelião. No seu site explicam ao que vêm. Entre as reivindicações, apelam a que os "governos digam a verdade sobre a crise ecológica", defendem a "redução drástica das emissões de gases de efeito estufa" e a "democracia participativa".

"Nós precisamos de um movimento massiva, radical e popular, para vencer. Existem ainda novos projetos de combustíveis fósseis em curso, como o furo de gás na zona centro, o gasoduto entre Guarda e Bragança, e o novo aeroporto no Montijo, diz, ao JN, Sinan Eden, um dos coordenadores dos ativistas da Rebelião da Extinção em Portugal (XR).

"As trabalhadoras e os trabalhadores da indústria dos combustíveis fósseis não estão a receber formação profissional nas energias renováveis", acrescenta.

De norte a sul pela "emergência climática"

No último sábado, em frente ao centro comercial Via Catarina, na Rua de Santa Catarina, no Porto, protestaram contra o "consumo excessivo". Deitaram-se no meio daquela que é uma das principais artérias comerciais da cidade, como se estivessem mortos.

Ainda a norte, desta vez em Matosinhos, manifestaram-se em frente à refinaria da Galp. "A Refinaria da Galp em Matosinhos faz este ano 50 anos. As energias renováveis apareceram na festa exigindo que a refinaria se reforme rapidamente e dê lugar às energias limpas", explicam os ativistas.

O primeiro ato teve como palco a sede da Nestlé, em Linda-a-Velha. "O estado de emergência climática atual faz com que estejamos aqui, hoje, como parte do movimento Extinction Rebellion, a denunciar a poluição produzida pela maior empresa de comida e bebida do mundo: a Nestlé", explicavam, antes, no site do movmento.

"As nossas ações são não-violentas mas disruptivas. A 'não-violência' faz parte dos princípios da XR a nível mundial", defende Sinan. "Fazemos atos de desobediência civil que interrompem o 'business as usual' que nos trouxe à beira do colapso civilizacional". Questionado sobre futuras ações, o ativista diz que o grupo está a "entrar numa fase de avaliação e reflexão coletiva, para decidir sobre o futuro do movimento".

Caos em Londres com o apoio de estrelas internacionais

O grupo português é uma extensão de um movimento internacional que na última semana provocou vários distúrbios em Londres. A circulação rodoviária em partes da capital britânica, nomeadamente Marble Arch, Oxford Circus, a ponte de Waterloo e a zona de Westminster, esteve cortada devido aos protestos de milhares de pessoas.

Pacíficos e sem recorrer à violência, manifestaram-se com música, intervenções artísticas, discursos, envolvendo muitas famílias, que aproveitaram o facto de as escolas estarem fechadas para as férias da Páscoa. Ainda assim, houve quem tivesse furado este perfil, recusando-se a sair dos locais onde estavam ou amarrando-se a carros estacionados. De acordo com a polícia, mais de 55 percursos de autocarros foram afetados.

Mais de mil pessoas foram detidas e o número poderia ser ainda maior se os protestos se tivessem arrastado para o Metro. "Estamos gratos por o Extinction Rebellion ter decidido não protestar na rede de metro de Londres, o que, sem dúvida, representaria um perigo muito grave", disse Sean O'Callaghan, comandante da Polícia Britânica dos Transportes.

Entre os apoiantes da casa está a atriz Emma Thompson, que, de acordo com a "BBC", se juntou aos protestos em Londres. "O nosso Planeta está em risco. Os nossos netos e bisnetos vão enfrentar problemas que nem ousamos imaginar", disse a artista.

Quem também marcou presença no protesto foi a ativista sueca Greta Thunberg, de apenas 15 anos, o rosto da greve estudantil em defesa do ambiente, que parou várias escolas do Mundo no final de março.

"Estamos a enfrentar uma crise existencial, a envolver a crise climática e a crise ecológica, que nunca foram tratadas como crises antes. Foram ignoradas durante décadas", atirou.

Imobusiness