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Passos ironiza que se estratégia do Governo resultasse defenderia voto no PS, BE e PCP

Passos ironiza que se estratégia do Governo resultasse defenderia voto no PS, BE e PCP

O líder do PSD ironizou esta terça-feira que, se a estratégia do Governo resultar, defenderá o voto no PS, BE e PCP, estranhou a recusa da maioria a uma auditoria independente ao Banif e defendeu a atuação do Banco de Portugal.

Em entrevista à SIC, no dia em que apresentou a moção de estratégia com que se recandidata à liderança do PSD, Pedro Passos Coelho foi questionado se tiraria ilações caso a estratégia orçamental do Governo resultasse, depois de lhe ter feito duras críticas.

"Ah, com certeza passaria a defender o voto no PS, BE e PCP, se pudéssemos todos devolver salários, pensões, impostos e no fim as contas batessem todas certo, seria fantástico", afirmou Passos Coelho, questionando porque é que o ex-primeiro-ministro José Sócrates não se lembrou desta estratégia em 2011 em vez de pedir ajuda externa.

Em matéria financeira, o presidente social-democrata voltou a dizer que o Banif não foi vendido pelo seu Governo por não ter havido um comprador disponível para comprar o banco "como ele estava" e considerou "grave e preocupante" a recusa do executivo socialista e da maioria parlamentar em aceitar a proposta do PSD para realizar uma auditoria externa e independente a este processo.

"A mim isso causa-me estranheza: se dizem que eu tenho responsabilidades nisto, não quererem a auditoria, dá impressão que quem tem alguma coisa a esconder não sou eu, é quem não quer que a auditoria se faça", criticou.

Sobre a atuação do governador do Banco de Portugal, Passos Coelho elogiou Carlos Costa como "um homem corajoso".

"Este governador, se calhar, não fez tudo bem, eu também não fiz tudo bem, mas o governador foi um homem corajoso que fez em momentos importantes intervenções que pouparam muito dinheiro aos contribuintes", afirmou Passos Coelho, que se voltou a manifestar contra a possibilidade de uma nacionalização do Novo Banco.

O ex-primeiro-ministro salientou que se o Novo Banco for vendido com prejuízo será o fundo de resolução suportado pelos bancos portugueses a arcar com ele, e não os contribuintes, o que só acontecerá em caso de uma nacionalização.

"O Estado precisa de mais algum banco, não tem a Caixa Geral de Depósitos? Há alguma razão estratégica para que os contribuintes suportem a compra de mais um banco que pode custar quase cinco mil milhões de euros", questionou.

Adivinhando "focos de tensão" na maioria que suporta o Governo, Passos Coelho disse não saber exatamente como classificar a proposta de Orçamento do Estado para 2016, dizendo que o documento já teve várias versões, mas que muitas instituições o continuam a apontar como pouco prudente.

"Se o Governo acredita que vai estar quatro anos a governar, porque razão está a correr tantos riscos? Este é o ponto político que merece reflexão", sublinhou.

Questionado se aceitaria uma tentativa de consenso com o PS na Segurança Social, a que apelou antes das eleições, Passos respondeu estar "disponível para resolver os problemas do país" e adiantou que irá apresentar propostas sobre este tema no parlamento.

Já sobre um eventual processo de revisão constitucional, Passos Coelho justifica a omissão na sua moção sobre o tema com a posição contrária do PS: "Quando não há o mínimo de seriedade na forma de discutir estes problemas, não vale a pena estar sequer a iniciar o processo, não podemos mudar a Constituição sozinhos".

O anterior primeiro-ministro reiterou que a dívida portuguesa, apesar de elevada, é sustentável e desafiou os que pedem a sua reestruturação a explicar a alternativa.

"Quem propõe reestruturações da dívida nestes termos tem de estar preparado para viver com o que tem. Viver com o que tem é viver sem défice -- não temos petróleo, não temos outras riquezas, como fazemos", questionou.

Na entrevista, deixou ainda um elogio ao seu anterior número dois do Governo, Paulo Portas: "Teve um papel muito importante na condução de um dossiê como a diplomacia económica; tenho uma boa relação com ele e quaisquer que tenham sido os desentendimentos políticos - nunca foram pessoais - eles corresponderam a dificuldades que os partidos sentiram e que conseguimos ultrapassar", disse.