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Percentagem de alunos ciganos no secundário cresce 1500% em 20 anos

Percentagem de alunos ciganos no secundário cresce 1500% em 20 anos

No ano letivo passado estavam inscritos no ensino secundário 256 alunos de etnia cigana - mais 240 do que os matriculados em 1997-1998, o que perfaz um crescimento de 1500%. A estatística, revelada esta segunda-feira, aponta para uma mudança social, admite o ministro da Educação.

"O estudo revela uma já importante tendência de mudança na forma como as comunidades ciganas valorizam o acesso à escola. Encontramos um conjunto alargado de raparigas ciganas no 3º ciclo e no secundário em proporções que não estão muito distantes daquelas que encontramos entre os rapazes ciganos e isto significa que o abandono escolar precoce por parte das raparigas não é uma inevitabilidade", sublinhou esta segunda-feira, o ministro da Educação. Tiago Brandão Rodrigues assinalou o arranque do 3º período de aulas na escola básica de Coruche, onde é desenvolvido o projeto "salas de vidro", de inclusão de crianças de comunidades ciganas na educação pré-escolar.

O Perfil Escolar da Comunidade Cigana, que faz um balanço da frequência de alunos ciganos na escolaridade obrigatória, foi publicado esta segunda-feira pela Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência. O estudo foi feito pela DGEEC a pedido do Ministério da Educação (ME) no âmbito da Estratégia Nacional para a Integração das Comunidades Ciganas, que se encontra em revisão. Os diretores dos agrupamentos públicos responderam a um questionário entre setembro e novembro.

Os dados indicam que onde a frequência menos cresceu foi no 1º ciclo - em 1997-98 (último ano em que tinha sido feito um levantamento) estavam inscritos 5420 alunos de etnia cigana, no ano passado 5879 (um aumento de 8,5%). No entanto, destes 1170 (cerca de um quinto do total) já tinham frequentado o pré-escolar. Quase 63% dos alunos conclui o 1º ciclo sem retenções.

Do 1º para o 2º ciclo, o número de alunos de etnia cigana baixa quase para metade - no ano passado, estavam matriculados 3078 no 5º e 6º anos. E apesar de a frequência cair a pique de ciclo para ciclo até ao secundário (no 3º ciclo estavam 1805 alunos e no secundário 256), comparativamente com o levantamento feito há 20 anos, os dados apontam para um crescimento de 723% no 2º ciclo, de 1670% no 3º ciclo e de 1500% no secundário. E as estatísticas apontam ainda que os alunos que ficam no sistema são resilientes: mais de metade (51,9%) não tem retenções no percurso. No 1º ciclo, 62,6% dos alunos não têm chumbos enquanto 17,2% acumulam mais do que uma retenção; no 2º ciclo, a situação inverte-se, há 36% dos alunos sem retenções e 44,3% com mais do que um chumbo; no 3º ciclo são 42% sem retenções e 39,4% com mais do que uma e no secundário 68,8% têm sucesso contra 16,8% que resistem com mais do que uma retenção no percurso.

"A escola tem agora de trabalhar com a comunidade cigana no seu todo para poder desenvolver um conjunto de soluções educativas que possam ser aceites", defendeu Tiago Brandão Rodrigues, considerando que o Plano Nacional de Promoção do Sucesso Escolar e o projeto de autonomia e flexibilização podem funcionar "como ferramentas" para reforçar a inclusão destes alunos. As escolas são espaços privilegiados de multiculturalidade e, por isso, tem de se trabalhar "com todos os alunos e famílias no reconhecimento deste exercício de absoluta cidadania". O ministro frisou, ainda, a importância da definição da estratégia nacional da educação para a cidadania e a aposta na formação de adultos, pois se os pais regressarem à escola, os filhos também estudarão mais tempo, alerta.

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