
Ninho de Vespas Asiáticas
José Carmo / Global Imagens
Casos em Guimarães, Cantanhede e Oliveira do Bairro. Ataque de um só inseto apenas é fatal para quem for alérgico e há formas de tratar a alergia.
Em 26 dias, três pessoas morreram na sequência de ataques de vespas ou abelhas em Portugal. Embora só uma das três mortes possa ser atribuída à picada de vespa-velutina, também conhecida por asiática, o aumento da população desta espécie faz aumentar a probabilidade de ataques.
A última morte relacionada com picadas de vespas ou abelhas aconteceu no domingo em Guimarães. Bruno Silva, de 32 anos, estava no exterior de casa quando foi atacado por uma vespa-crabro, conhecida por vespa europeia e comum em Portugal, que chega a ser maior que a asiática. Morreu por asfixia em menos de 10 minutos pois era alérgico.
Em agosto, em três dias, as vespas e as abelhas fizeram duas vítimas. A primeira foi em Cadima, Cantanhede, a 21 de agosto, quando José Piedade, de 50 anos, estava sozinho a trabalhar numa vinha. Foi atacado por um enxame de insetos que o picaram até à morte. Junto ao corpo estavam vespas-asiáticas, mas também abelhas, desconhecendo-se qual terá causado a morte. Dois dias depois, uma asiática matou Acácio Vela, de 79 anos. O idoso estava no exterior de casa, em Oliveira do Bairro, quando foi atacado.
Sete mortes em 2017/18
Em Portugal, não há dados atualizados sobre o número de ocorrências e mortes por picadas de abelhas ou vespas. As únicas estatísticas são compiladas pela Direção Geral de Saúde, que tem apenas números até ao primeiro semestre do ano passado. Assim, em 2017 morreram três pessoas picadas por vespas ou abelhas e, nos primeiros seis meses de 2018, o número de mortes já ia em quatro pessoas.
Com a proliferação de asiáticas por quase todo o território nacional, sobretudo no litoral, é maior a probabilidade de picadas. Ainda assim, quem não é alérgico não tem motivos para temer. Há, contudo, um cuidado a ter. Ela é mais reativa a ameaças e ataca em grupo quando se sente ameaçada. Por isso, as autoridades aconselham a que ninguém se aproxime nem mexa com ninhos.
O teste cutâneo é a forma mais comum de saber quem tem alergia, caso o historial clínico não o indique ou a pessoa nunca tenha sido picada. Depois de diagnosticada, há formas de a prevenir e tratar. Maria Elisa Pedro, especialista em Imunoalergologia, escreveu um artigo científico onde dá conta que a imunoterapia com veneno purificado "é um tratamento eficaz para a maioria dos doentes alérgicos ao veneno" de vespa e abelha. Estes tratamentos são realizados nas Unidades de Imunoalergologia dos hospitais.
SINTRA
"Asiática" obriga ao encerramento do Parque da Pena
A zona ocidental do Parque da Pena, em Sintra, foi encerrada ao público, depois de ter sido descoberto um ninho de vespas-asiáticas, estando prevista a reabertura na quarta-feira, após ser eliminado pela Proteção Civil, anunciou a empresa que gere o espaço. A zona ocidental do Parque da Pena incluiu o Chalet da Condessa d"Edla.
