Monte Real

Pilotos dos EUA aprendem com militares portugueses

Pilotos dos EUA aprendem com militares portugueses

Durante 21 dias, pilotos de F-16 dos EUA e de Portugal vão realizar diversas missões de treino. A BA5 foi escolhida por ser uma "unidade de excelência".

Trezentos e vinte militares e 18 F-16 da Força Aérea norte-americana estão, desde dia 1 de fevereiro, a participar em missões de treino com cerca de 600 militares portugueses da Base Aérea nº 5 (BA5), em Monte Real, Leiria. No ano passado, a BA5 recebeu três destacamentos dos Estados Unidos.

O comandante da BA5, João "Speedy" Gonçalves, explica que esta missão de treino pretende melhorar a interoperabilidade entre os militares dos dois países, ao possibilitar o contacto direto e a partilha de experiências na operação das aeronaves. "Conseguimos ir para qualquer tipo de cenário e falar a mesma língua. Temos as mesmas técnicas, regras de segurança e procedimentos."

"Fomos escolhidos porque temos credibilidade, baseada em níveis de execução elevados, que permitem uma confiança que é mantida ao longo do tempo, em vários exercícios", justifica João Gonçalves. "A Base Aérea nº 5 é hoje reconhecida como uma unidade de excelência, ao nível do que se faz em poder aéreo", garante.

Característica que, segundo João Gonçalves, torna a BA5 "apetecível" para efetuar missões de treino. "Existe uma relação muito próxima entre esta base da Força Aérea e a Força Aérea dos Estados Unidos. Temos um intercâmbio de pilotos permanente", revela.

"Treina como combates"

No âmbito desta missão de treino, que termina dia 22 com o regresso dos 320 pilotos norte-americanos à base de Spangdahlem, na Alemanha, foram ainda envolvidos nos exercícios militares das Bases Aéreas de Beja e do Montijo. "Adequamos os cenários, tentando que estejam relacionados com a atualidade", assegura o comandante da BA5. "Tentamos fazer jus à máxima: "treina como combates"."

Em cada missão de treino são feitas cerca de 20 "saídas". "Por cada hora e meia de voo, houve alguém a trabalhar 12 horas antes. Depois, é tudo escalpelizado", explica João Gonçalves, com o objetivo de determinar qual a melhor tática. "Há muita coisa que é comum, porque andámos na mesma escola e temos o mesmo tipo de doutrina", observa.

"Cada vez que surge uma nova ameaça ou nova capacidade instalada num avião, temos de testar essa nova ameaça", explicou o comandante da BA5, para explicar a importância das missões de treino. A título de exemplo, referiu a evolução dos capacetes, que hoje projetam a imagem dos sensores do avião na viseira. "Olho para lá para acionar o armamento e atingir aquele objetivo", acrescentou.

Pilotos dos EUA satisfeitos

Comandante do grupo de pilotos norte-americano e responsável pela cooperação entre todas as esquadras, Jason Bailey destacou o facto de Portugal ter "excelentes zonas de treino". "É excelente para nós esta integração, do ponto de vista da interoperabilidade. Voar exige um treino muito exigente", justificou.

Jason Bailey referiu ainda a importância, do ponto de vista estratégico, de todos os membros da NATO se poderem movimentar em toda a Europa. "Podemos estar um dia na Alemanha, no dia seguinte, em Portugal, e, no dia seguinte, na Roménia", exemplificou. "É essa a força da Nato. Podermos movimentar-nos com agilidade no teatro de operações e ter força de combate, em diversos locais."

"Isso é muito importante, tendo em conta a situação da Europa atualmente", afirmou o comandante do grupo de pilotos norte-americano. Questionado sobre quais considera serem as maiores ameaças, respondeu a Rússia. "Do ponto de vista global, é importante ter uma aliança forte." Já Bait Richard assegurou que Portugal tem "F-16 bem apetrechados do ponto de vista tecnológico" e que "o nível de conhecimentos entre os pilotos dos dois países é muito semelhante".

A Base Aérea nº 5 recebeu hoje a visita do embaixador dos Estados Unidos, George Glass, que voou, pela primeira vez, num dos F-16 norte-americanos, experiência que considerou "fabulosa".

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