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Primo de secretário de Estado pede demissão

Primo de secretário de Estado pede demissão

É a primeira baixa no Executivo PS devido à polémica com a nomeação de familiares de governantes: o adjunto do secretário de Estado do Ambiente demitiu-se após saber-se que além de ser primo do governante ainda tinha sido nomeado pelo mesmo. O Ministério do Ambiente assegura que não sabia desta relação familiar.

Armindo dos Santos Alves era adjunto do secretário de Estado do Ambiente, Carlos Martins, até esta terça-feira. Demitiu-se após o jornal digital Observador confrontar o Ministério do Ambiente com o facto de se tratarem de dois primos. Carlos Martins, que nomeou o familiar em setembro de 2016, mantém-se em funções.

Ao JN, fonte do Ministério do Ambiente confirmou a "relação familiar entre o secretário de Estado e o seu adjunto", garantindo que o ministro José Matos Fernandes "desconhecia tal relação familiar até ontem [terça-feira], quando o Observador colocou questões" sobre este caso. "Armindo dos Santos Alves, adjunto do secretário de Estado, apresentou a sua demissão", acrescentou ainda a mesma fonte.

Com mais de 60 anos e uma licenciatura em Geografia, que obteve quando já tinha cerca de 40 anos, Armindo dos Santos Alves regressa agora à Câmara de Loures, de onde nunca passou de técnico municipal, à exceção de um curto período em que integrou o gabinete do presidente Adão Barata, soube o JN.

Aliás, o seu primo, Carlos Martins, passou pela mesma autarquia, mas há muito mais tempo, quando foi quadro dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) de Loures, que entretanto mudou o nome para SIMAR - Serviços Intermunicipalizados de Águas e Resíduos.

O desfecho deste caso, que acaba com o pedido demissão de quem foi nomeado, ocorre ao fim de várias semanas em que se conheceu a real dimensão dos laços de familiares entre governantes e nomeados para os gabinetes ministeriais ou para instituições da esfera do Estado. Entre as cerca de três dezenas de ligações que vieram a público nas últimas semanas, a que mais mossa provocou no Executivo acabou por ser a nomeação da mulher do ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, pelo secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Duarte Cordeiro, que por sua vez teve a mulher nomeada pelo Governo para uma entidade pública.

Após o ex-presidente da República, Cavaco Silva, ter criticado tal cenário, António Costa reagiu sob pressão na última quinta-feira, 28 de março. O primeiro-ministro afirmou-se "tranquilo" e deixou claro que Cavaco não teria como "melhor qualidade" a memória, para dar lições ao Governo socialista.