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Rui Rio: "PSD não foi fundado para ser um clube de amigos"

Rui Rio: "PSD não foi fundado para ser um clube de amigos"

Antigo autarca do Porto derrota Santana, ganha em quase todas as distritais e anuncia oposição firme.

Meia hora depois de as urnas terem fechado, às 20 horas, os resultados começaram a ser conhecidos em catadupa. A noite, anunciada como longa, acabaria por ser inesperadamente curta. Rui Rio é o novo presidente do PSD (ganhou com 54,37%, 22.611 votos), é o 18.º líder do partido e é o novo adversário de António Costa. "O atual governo terá na nova liderança do PSD uma posição firme e atenta, mas nunca demagogia populista e nunca contra o interesse nacional", anunciou o antigo autarca, no hotel Sheraton, no Porto, onde chegou às 21 horas em ponto, para discursar duas horas mais tarde numa sala lotada e em êxtase.

Pedro Santana Lopes jogou a última carta política e perdeu. Não pode voltar à casa de partida nem sequer à Santa Casa. Ainda assim, com o fair-play habitual, assumiu a derrota às 22.30 horas, recordando Mário Soares sem o identificar - "Só é derrotado quem desiste de lutar" -, para logo declarar: "Vou continuar a combater politicamente". Foi uma variação do "Vou andar por aí", proferido em 2004 quando Jorge Sampaio dissolveu o Parlamento.

Já Rui Rio vai andar por aqui. Afirmou que a "bússola" que o guia no PSD é a de Francisco Sá Carneiro, avisou que o partido não foi fundado para ser "uma agremiação de interesses individuais, nem um clube de amigos", mas sim para se constituir como alternativa ao Governo e à Esquerda.

O PSD de Rio, continuou o próprio, será "a alternativa capaz de dar a Portugal uma governação mais firme e corajosa, capaz de enfrentar os problemas estruturais de Portugal". O partido "reformista" que irá devolver "a vontade, a alma e a esperança".

Rio no 12.º andar

"O rio vai cheio, acabou a seca", ouviu-se no átrio do hotel. Rui Rio escolheu o Porto para a noite eleitoral, instalou-se no 12.º andar e só desceu para o discurso de vitória. No rés do chão, que cheirava a vitória desde o primeiro minuto da noite, alguém exclamou: "Ganhávamos um problema ou ganhávamos o país". Nessa altura, Rio já liderava com 60% dos votos.

Os apoiantes começaram a chegar pelas 22 horas. Duarte Pacheco e Emídio Guerreiro estiveram entre os primeiros. Mas Salvador Malheiro, diretor de campanha, era o homem mais feliz da noite, feliz a ponto de conseguir dançar com o hino. "Nós somos um rio que não vai parar". Recebeu a maior ovação da noite.

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