
Miguel Pereira/Global Imagens
A temperatura média em Lisboa, Bragança, Coimbra, Santarém e Beja está a subir ao ritmo de 0,2 graus Celsius por década desde 1950.
Foi essa a tendência calculada pelo IPMA para o JN tendo por base os dados daquelas cinco estações meteorológicas - que permitem séries mais longas - para o período 1950-2018. Enquanto os termómetros atingem novos máximos, a precipitação está a baixar.
De acordo com a informação disponibilizada pelo IPMA, foi em Coimbra que os termómetros mais subiram, com a temperatura média anual a aumentar 0,32 graus por década desde a segunda metade do século XX. Na mesma estação, a temperatura máxima registou uma subida média, por sua vez, de 0,38º Celsius. Segue-se Beja, com a temperatura média a subir 0,22 graus para o período em análise (ver infografia).
Em Lisboa e Bragança o mercúrio galgou 0,21º Celsius, com as terras brigantinas a registarem uma maior amplitude entre a temperatura máxima anual (+0,38º) e a mínima (+0,14º). Em Santarém, por sua vez, os termómetros subiram, em média, por década, 0,19 graus.
Excetuando a tendência de temperatura mínima registada em Bragança, todas as restantes são estatisticamente significativas. Ou seja, explica a climatologista do IPMA Vanda Pires, "o aumento é de facto linear, não é aleatório, prova que está a registar-se esse aumento nestes últimos anos".
Os dados do IPMA permitem ainda perceber que 2017 foi o ano mais quente desde, pelo menos, 1950, em Bragança, Lisboa e Beja, com a temperatura média anual a fixar-se nos 14,04º, 18,43º e 18,11º, respetivamente. Em Coimbra (17,30º) e Santarém (19,73º) foi o ano de 1997.
Menos precipitação
Números que não surpreendem Filipe Duarte Santos, especialista de renome internacional em alterações climáticas. O planeta está a ficar mais quente - a temperatura aumentou um grau -, com o mercúrio nos termómetros a subir mais na Europa (+0,5 graus na Turquia, por exemplo) do que no resto do Mundo. A que se soma, alerta, a diminuição da precipitação, mais acentuada na Península Ibérica. "A precipitação em Portugal está a diminuir ao ritmo de 40 milímetros por década", revela o também presidente do Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável. "É preocupante. As secas estão a tornar-se mais frequentes [ler ao lado]. Temos que adaptar a gestão dos recursos hídricos em Portugal a estas tendências", avisa Filipe Duarte Santos.
Ilustrando com Israel, que sofre das mesmas alterações climáticas, explica então o investigador e professor que "86% da água que usam para regadio vem do tratamento das águas residuais urbanas das cidades". A que se junta a dessalinização da água. Também em Espanha, diz, 17% da água utilizada no regadio resulta da reutilização das águas residuais urbanas. "Portugal não aparece nas estatísticas internacionais, não tem expressão", afirma Filipe Duarte Santos.
O futuro do planeta, entende, depende do cumprimento ou não do acordo de Paris. "Todos estiveram de acordo, todos assinaram, mas nem todos ratificaram e os EUA querem sair, o que torna mais difícil", considera. No referido acordo, os países comprometeram-se a manter o aumento da temperatura média mundial abaixo dos 2° Celsius em relação aos níveis pré-industriais, limitando mesmo esse aumento a 1,5 graus Celsius.
Mais
Primavera
De acordo com o Observatório Astronómico de Lisboa, o Equinócio da Primavera começa às 21.58 horas de hoje no Hemisfério Norte. Prolonga-se até ao próximo Solstício que ocorre no dia 21 de junho às 16.54 horas.
Abril, águas mil?
A previsão mensal do Instituto Português do Mar e da Atmosfera para o período de 18 de março a 14 de abril aponta para precipitação e temperatura média com valores abaixo do normal. Hoje, as temperaturas máximas podem subir aos 20 graus.
