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Lisboa

Tetraplégico em gaiola abandona protesto após visita de Marcelo

Tetraplégico em gaiola abandona protesto após visita de Marcelo

O protesto de um ativista tetraplégico pela "vida independente" terminou depois das visitas do presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa e da governante Ana Sofia Fonseca.

Eduardo Jorge regressou na noite de domingo, depois das 21 horas, à sua residência habitual, com a promessa de uma reunião com a secretária de Estado para a Inclusão das Pessoas com Deficiência, a realizar esta terça-feira.

"Foi graças ao presidente que eu saí de lá", explicou esta segunda-feira. Eduardo Jorge, 56 anos, estava alojado desde sábado numa instalação a descoberto, de grades de aço, uma espécie de gaiola, em frente à escadaria da Assembleia da República, em Lisboa, para protestar contra a demora no arranque dos projetos de vida independente e a exclusão de algumas pessoas institucionalizadas neste modelo.

"O presidente dirigiu-se a mim sozinho e ouviu o que tinha a dizer sobre a minha situação. Depois, foi buscar a secretária de Estado Ana Sofia Fonseca ao carro e em conjunto conversaram comigo", contou. Ouviram-no e prometeram cuidar das suas reivindicações em reunião especial para esse efeito.

Marcelo Rebelo de Sousa foi ter com Eduardo Jorge à porta do Parlamento entre as 20 e as 21 horas, recordou. "Não sei exatamente a hora porque já estava um pouco confuso", disse. Afinal, estava sem comer desde sábado e mantinha-se na mesma posição deitado numa cama. Estava previsto manter-se naquelas condições e local até terça-feira. Ficou combinado com presidente e governante que teria de se perceber como a nova legislação para a criação de Centros de Apoio Vida Independente, CAVI, poderia contemplar casos como o dele, sublinhou.

O facto de Eduardo Jorge estar já institucionalizado num lar de idosos impede-o de poder vir a ter acesso ou a escolher um assistente pessoal, conceito fundamental da nova legislação, publicada em outubro de 2017, que aguarda concretização efetiva. Na semana passada, Ana Sofia Antunes anunciou a assinatura dos primeiros 21 contratos com que se fará avançar os primeiros CAVI, na região Norte, Centro e Alentejo.

O objetivo principal é facultar às pessoas com deficiência os meios para permanecerem em suas casas recorrendo, nomeadamente, ao apoio de um assistente particular. Ou seja, evitar a institucionalização e abrir portas a uma vida independente. Eduardo Jorge questiona também a capacidade de resposta, em termos financeiros, de cada CAVI. Nas suas contas, ficará difícil apoiar pessoas com problemas graves que precisem de apoio constante.