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Uma primeira dama na causa feminista

Uma primeira dama na causa feminista

Única filha de Miguel Dantas Gonçalves Pereira, um alto burguês de Paredes de Coura, e de Bernardina da Silva, uma cidadã brasileira que aquele conheceu no Rio de Janeiro, onde esteve emigrado, Elzira Dantas Machado nasceu a 15 de Dezembro de 1865 nesta cidade.

Aos seis anos, após a morte da mãe, Elzira Dantas Machado veio para Portugal com o pai, tendo sido criada num ambiente desafogado e culto e recebido uma educação esmerada, a cargo de preceptoras estrangeiras, como era hábito nas famílias abastadas. O pai sempre se preocupou com a sua educação, tendo, inclusive, previsto o seu internamento num colégio suíço, caso morresse antes de Elzira completar os 12 anos.

Apesar de ter sido educada apenas para assumir o papel de esposa e mãe, como as restantes jovens da sua época, Elzira Dantas Machado nunca se deixou moldar por esse espírito e cedo se envolveu no movimento pela emancipação da mulher.

O casamento com Bernardino Machado, em 1882, aos 17 anos, abriu-lhe portas a um novo mundo e permitiu-lhe conhecer algumas das mais proeminentes figuras do republicanismo e do feminismo. Foi uma das fundadoras da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, em 1909, que abandonou dois anos mais tarde para abraçar o projecto da Associação de Propaganda Feminista, da qual se torna presidente em 1916.

Mesmo quando o marido assumiu funções como presidente da República, Elzira Dantas Machado manteve o mesmo dinamismo. Com o eclodir da I Guerra Mundial e a participação de Portugal no conflito, ajudou a criar a Cruzada das Mulheres Portuguesas (CMP), em 1916, cuja principal missão era apoiar os soldados e as suas famílias.

O trabalho que estava a desenvolver foi interrompido em 1917, na sequência do golpe sidonista. Bernardino Machado foi destituído e o casal e os 19 filhos exilaram-se em Paris. Apesar das circunstâncias, Sidónio Pais decidiu condecorar Elzira Dantas Machado com a grã-cruz da Ordem de Cristo e conceder à Cruzada das Mulheres Portuguesas a grã-cruz da Ordem Militar da Torre e Espada.

Com o prolongar do exílio, Elzira Dantas Machado renunciou ao cargo de presidente da CMP, em 1923. Contudo, foi nomeada presidente honorária em assembleia-geral de 2 de Abril.

Em 1925, Bernardino Machado foi reconduzido, mas, no ano seguinte, voltou a ser afastado com o golpe de 28 de Maio e a família regressou ao exílio, de onde só regressou em 1940. Elzira Dantas Machado morreu no Porto, dois anos depois.

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