Educação

Juntar na escola filhos de profissionais de risco é "contrassenso"

Juntar na escola filhos de profissionais de risco é "contrassenso"

A decisão de manter pelo menos uma escola por agrupamento aberta para acolher os filhos dos profissionais de saúde, dos agentes de socorro e das forças de segurança, mobilizados para o combate à epidemia de Covid-19, está longe de ser consensual.

Os médicos são os mais críticos: dizem que a medida é "um contrassenso" quando foi decidido fechar escolas, tal como os técnicos de emergência pré-hospitalar.

Os bombeiros aplaudem a iniciativa, enquanto os polícias pedem que se avalie caso a caso e que a medida seja uma alternativa e não uma imposição. A ministra da Saúde mostrou, na conferência de imprensa de ontem, abertura para se considerarem outras soluções.

O Ministério da Educação aprovou regras específicas para auxílio aos trabalhadores de serviços especiais, como os profissionais de saúde, das forças e serviços de segurança e de socorro - incluindo os bombeiros voluntários, as forças armadas, os trabalhadores dos serviços públicos essenciais, de gestão e manutenção de infraestruturas essenciais, e outros serviços essenciais.

A ideia é que quando estes forem mobilizados para o serviço ou prontidão, e ficarem impedidos de prestar assistência aos filhos ou outros dependentes, haja pelo menos uma escola de cada agrupamento de ensino aberta para receber os seus filhos ou outros dependentes. Estas situações colocam-se, sobretudo, nas famílias monoparentais e nos casos em que os dois progenitores têm profissões que se enquadram nos designados serviços especiais.

Para a Federação Nacional dos Médicos (FNAM), é "inaceitável" que a alternativa equivalente a ficar com um filho em casa, seja "deixá-lo num local desconhecido, com cuidadores desconhecidos, com crianças com maior risco de contágio".

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Nomear um cuidador

"Não é uma solução que nos tranquilize. Os filhos destes profissionais já estão mais expostos por terem contacto próximo com quem está na linha da frente e juntá-los aumenta o risco ", afirmou, ao JN, Noel Carrilho, presidente da FNAM.

Em alternativa, sugere que, nas famílias monoparentais ou quando os dois pais são trabalhadores de serviços essenciais, se verifique se é efetivamente premente a presença do médico para o combate à pandemia, e que, se for um casal, possam dar apoio em períodos alternados. Em último caso, sugere a possibilidade de nomeação de um cuidador, proposto pelos pais, que seja dispensado da seu trabalho com compensação remuneratória a 100%.

O presidente do Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar também não vê com bons olhos a ideia de juntar os filhos dos profissionais de saúde. Pedro Moreira lembra estes profissionais não são necessários todos à mesma hora e pede às instituições que façam uma avaliação das necessidades e criem turnos desfasados.

Já o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses felicita a medida. Sobre os riscos de juntar crianças mais expostas ao Covid-19, Jaime Marta Soares entende que "serão uns poucos a tomar conta de poucas crianças".

O presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia concorda com a medida desde que não seja obrigatória. "É preciso olhar caso a caso, pois cada criança tem as suas necessidades, e ter bom senso", diz Paulo Rodrigues.

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