Covid-19

Longas horas à espera para conseguir fazer teste em Lisboa e no Porto

Longas horas à espera para conseguir fazer teste em Lisboa e no Porto

Para garantir uma consoada mais segura ou pela necessidade de viajar, milhares de portuenses deslocaram-se, esta quinta-feira, aos 18 postos de testagem gratuita disponibilizados pela Câmara Municipal do Porto. E alguns tiveram de esperar duas horas para conseguir vaga. Em Lisboa houve quem esperasse seis horas.

Sem a possibilidade de marcação prévia, o centro de testagem na Rotunda da Boavista foi um dos que registou maior afluência, com filas de espera a atingirem as duas horas e utentes indignados com a falta de organização. "Disseram-me que era por ordem de chegada, mas não é isso que está a acontecer", criticou Miguel Monteiro, que defende a criação de uma fila para grupos prioritários.

Por outro lado, na Praça do Marquês, o sistema de agendamento online possibilitou uma gestão mais equilibrada das filas, com a espera a rondar os dez minutos. O clássico entre o F. C. Porto e o Benfica, no Estádio do Dragão, fez aumentar a procura. "O Natal e o jogo do F. C. Porto esgotaram-nos todas as marcações. Foram mesmo as principais causas desta afluência", apontou Rui Alvarelhão, técnico do posto do Marquês. Para responder à elevada adesão aos testes, o centro abriu ainda uma fila para quem não tinha marcação.

Em Lisboa, no posto de testagem gratuita à covid-19, no Campo Pequeno, cidadãos residentes e não residentes esperaram desde as 10 da manhã e as 15 horas para fazer o teste. Muitos dos que aguardavam quiseram testar-se para poderem passar o Natal em segurança.

Uma longa fila contornava a praça de touros em direção ao contentor para testagem gratuita à covid-19 da Unilabs. Muitas pessoas sentavam-se no passeio, ouviam música nos auriculares ou liam revistas para aliviar o desconforto da espera.

A poucos metros do fim da fila, João Carapinha e Ana Nunes, de 32 e de 43 anos respetivamente, afirmaram estar há meia hora à espera: "contávamos que fosse mais acelerado". O que motivava a realização do teste era o facto de terem tido um contacto de risco. "Estamos sempre na dúvida", confessaram. "É chato, mas faz parte da nossa realidade".

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Meio dia à espera

Mais à frente na fila, encontrava-se Ana Domingos, de 63 anos, para quem a espera estava a ser cansativa uma vez que já era a segunda fila em que estava. Tinha vindo do Parque das Nações onde esperou desde as 10 horas até às 13 horas sem conseguir ser testada porque o espaço fechou. Ana achou "injusto" o facto de muitas pessoas terem ficado sem ser atendidas. Quando questionada pelo JN sobre o que motivava a sua vontade de se testar, Ana Domingos afirmou querer fazê-lo por despiste.

Quase no final da longa fila, Fábio Romero e Lilian Castro, um casal brasileiro, encontravam-se à espera durante mais de cinco horas para fazer o teste. Estão em Lisboa em turismo e pretendiam voar para Paris amanhã, véspera de Natal. Dizem que dos dias em que estiveram em Lisboa, este foi o único em que não choveu e lamentam ter passado "metade do dia na fila" para o teste.

Vindo também do Brasil, Rafael Gomes, de 47 anos, garantia estar à espera há mais seis horas. Como vai passar a consoada num hotel em Lisboa tinha de se testar, disse ao JN.

Natacha Renda, de 20 anos, esperava sentada na borda do passeio para se testar ainda antes do Natal. As cinco horas de espera estavam a ser difíceis, uma vez que a jovem já se encontrava muito cansada e "cheia de fome".

À saída do contentor, o JN falou com Constanza Ragazzini, uma jovem italiana de 21 anos que ainda hoje vai apanhar um avião de volta para Itália. Esperou desde as 10 da manhã e afirmou ter sido muito cansativo, uma vez que a fila se movia muito lentamente.

O município de Lisboa proporciona testagem gratuita para residentes e não residentes, que se irá manter pelo menos até ao final do ano. O serviço está também disponível nalguns locais em horário noturno, desde 3 de dezembro.

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