Coronavírus

Mais 15 dias de estado de emergência terão medidas reforçadas

Mais 15 dias de estado de emergência terão medidas reforçadas

Controlo à circulação de pessoas vai apertar. Escolas fechadas mais um mês. Marcelo fala ao país na quinta-feira após votação do Parlamento. Governo reúne-se esta quarta-feira.

O Governo está a preparar um reforço da estratégia de combate à Covid-19, em vigor desde 22 de março, após Belém lhe ter dado sustentação constitucional com a declaração do estado de emergência. Um maior controlo na circulação de pessoas, com o apertar da malha às exceções criadas há 11 dias para setores vitais, é uma das medidas a robustecer, a par de outras que surjam de raiz. António Costa resiste a uma ação mais musculada.

O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, admitiu ontem, à saída de uma sessão com especialistas no Infarmed, que é preciso manter a pressão sobre a doença, que já matou 160 portugueses. E disse que há bons sinais sobre a evolução da pandemia no país.

Depois de, a 18 de março, justificar o estado de emergência com a necessidade de o Governo "poupar etapas" nesta guerra, o presidente da República vai renovar por 15 dias a declaração e, soube o JN, com uma exigência semelhante a Costa para acelerar o plano contra a doença.

Marcelo: medidas necessárias

Marcelo reúne esta quarta-feira de manhã em Belém o seu núcleo duro para moldar o novo decreto que irá vigorar até 17 de abril (o atual cessa amanhã). Pelas 15 horas, Costa reúne o Conselho de Ministros para apreciar a intenção do presidente. E na quinta-feira de manhã o Parlamento aprecia e vota o texto. Sem qualquer oposição anunciada pelos partidos, entrará em vigor às zero horas do dia 3. Antes, Marcelo falará ao país.

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Só na sexta-feira o Governo deverá apresentar um "reforço" das medidas, que o JN apurou serem em grande parte na área da Administração Interna. Em cima da mesa pode também estar a suspensão da acumulação do trabalho de médicos entre público e privado, como alguns hospitais já determinaram. Porém, tal como considerou que o estado de emergência não era necessário, Costa acredita que endurecer as regras não é o mais eficaz e prefere pôr a tónica na importância de as cumpri.

Para Marcelo, "impõe-se manter as medidas de contenção", garantindo que essa foi "uma opinião unânime" na sessão no Infarmed. Segundo o chefe de Estado, "importa manter a pressão na mola". Como defensor do estado de emergência, frisou que a apresentação feita naquela reunião "confirmou que era necessário haver medidas que foram tomadas".

Do decreto presidencial que agora cessa só ficam por aplicar a requisição de serviços, bens móveis e imóveis dos privados, a par da criação de cercas sanitárias - a de Ovar foi anterior ao estado de emergência.

Secundário pode abrir primeiro

Fontes presentes na reunião adiantaram, ao JN, que as autoridades de saúde falaram na necessidade de aguardar mais alguns dias para se perspetivar com mais certezas se o pico da doença ocorre em abril ou maio. E falaram na possibilidade de virmos a ter um pico achatado, tendo em conta que os números de infetados não têm sofrido as variações esperadas. Para já, apesar das mortes registadas e haver cerca de 100 crianças até aos nove anos infetadas, dá-se como ganha a primeira batalha graças ao isolamento social.

Costa terá admitido ter dúvidas sobre qual o "timing" que deve ditar a reabertura das escolas, não deixando clara qual a sua intenção. Na terça-feira, há nova apresentação das autoridades de saúde que ajudará o Governo a tomar a decisão, com que se comprometeu até dia 9.

O JN apurou que o fecho poderá durar até final do mês e avançar de forma faseada, em maio, começando com a abertura no Secundário, devido à preparação para os exames de acesso ao Superior. Teme-se a propagação nas creches e entre os alunos mais jovens.

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