Conferência JN 134 anos

"Mar português só vale dinheiro se o preservarmos"

"Mar português só vale dinheiro se o preservarmos"

Líderes de centros de investigação e de projetos inovadores ligados aos oceanos explicam como a tecnologia é a chave para a sustentabilidade.

A tecnologia ao serviço da sustentabilidade é a base do trabalho de instituições como o INESC TEC, a Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Instituto Politécnico de Leiria, o Laboratório de Sistemas e Tecnologia Subaquática da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto ou da maior empresa de aquacultura portuguesa, a Flatantic (antiga Acuinova).

"Há um estudo já com uns anos, da OCDE, que calcula que o mar pode render 500 euros por hectare. Isto, para o mar português, significa algo como 200 mil milhões de euros por ano. Mas é preciso preservá-lo, porque só assim vale alguma coisa", lembrou Eduardo Silva, do Centro de Robótica do INESC TEC.

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A maioria dos projetos da instituição que visa ligar o conhecimento dos académicos às necessidades das empresas parte de colaborações e parcerias para conseguir fazer testes, em terra, no mar e nas profundezas do oceano, para sustentar projetos empresariais de produção de energias renováveis ou aquacultura, recorrendo à robótica.

Os robots são também a paixão dos engenheiros do Laboratório de Sistemas e Tecnologia Subaquática da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, demonstrou João Galante.

"Temos uma frota de veículos autónomos, desde aéreos a submarinos, que recolhem e comunicam dados para uma plataforma que permite fazer análises", simplificou.

A tecnologia pode ainda ser aliada do conhecimento que já existe, como o dos pescadores, para promover a sustentabilidade, acrescentou Sérgio Leandro, diretor da Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Instituto Politécnico de Leiria.

"Utilizámos tecnologia já existente a algo diferente. Instalámos aparelhos de GPS nas 12 embarcações e demos relógios inteligentes a 40 mariscadores de Peniche para sabermos onde é que cada um recolheu percebes e, assim, podemos contribuir para a proteção do recurso", exemplificou.

Na antiga Acuinova, em Mira, hoje denominada Flatantic, é a tecnologia que permite produzir 3200 toneladas de pregado anualmente e fazem-se investimentos para, nos próximos 10 anos, atingir 16,2 toneladas de pregado e linguado.

A CEO Renata Serradeiro lembrou que o antigo projeto, que implicou um investimento de 156 milhões de euros por parte da Pescanova, falhou devido a "alguns acidentes de percurso relacionados com a emissão e captação de águas". Com o reforço do investimento, de mais 250 milhões de euros, a maior aquacultura em terra da Europa quer "produzir alimentos saudáveis e sustentáveis.

A Conferência "Mar, Porta para o Futuro" está a decorrer no Terminal de Cruzeiros de Matosinhos, durante a manhã desta quinta-feira, integrada nas comemorações do 134º aniversário do "Jornal de Notícias", no Terminal de Cruzeiros de Matosinhos.

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