Polémica

Marcelo diz que não houve crise no Governo e que portugueses devem estar gratos a Centeno

Marcelo diz que não houve crise no Governo e que portugueses devem estar gratos a Centeno

O presidente da República diz que não houve qualquer crise no Governo e que os portugueses devem estar gratos a Mário Centeno pelo que tem feito como ministro das Finanças.

"Ainda ontem [sábado] o senhor primeiro-ministro disse - e disse bem - que não houve crise política ou do Governo. Não há crise. E, portanto, isso não existiu e não existe", afirmou o chefe de Estado aos jornalistas, no final de uma visita ao mercado da Ericeira, no concelho de Mafra, distrito de Lisboa.

Quanto à permanência ou não de Mário Centeno no Governo, Marcelo Rebelo de Sousa remeteu essa questão para o primeiro-ministro, António Costa, mas considerou: "Se me pergunta se os portugueses devem estar gratos ao ministro das Finanças por aquilo que tem vindo a fazer ao longo dos anos, ah, isso é evidente".

"Tão evidente que eu reafirmei-o há mês e meio, dois meses, em Belém", acrescentou.

Confrontado com as críticas que recebeu pela sua intervenção a favor da posição que o primeiro-ministro assumiu no parlamento sobre as transferências para o Fundo de Resolução destinadas ao Novo Banco, o Presidente da República não lhes respondeu diretamente, mas centrou este caso no controlo do uso do dinheiro público.

"O dinheiro público é dinheiro dos contribuintes, portanto, saber se é bem utilizado, como é que é utilizado, isso é uma questão que não tem a ver com A, com B ou com C. É tão óbvio, tão óbvio, tão óbvio que toda a gente percebe que num período de dificuldade ainda é mais importante controlar o uso do dinheiro público", sustentou.

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Marcelo não vê problema em transição direta das Finanças para o Banco de Portugal

Marcelo afirmou este domingo que não vê nenhum problema numa transição direta do cargo de ministro das Finanças para governador do Banco de Portugal e recordou que isso já aconteceu duas vezes.

Questionado se, em termos de princípio, no plano ético-político, entende que há alguma incompactidade ou impedimento numa passagem direta do Governo para a chefia do Banco de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa respondeu: "Não, isso não. Eu lembro-me, pelo menos, de dois exemplos de ministros das Finanças que saíram e que logo a seguir foram nomeados governadores do Banco de Portugal".

"Um no tempo da ditadura, o professor Pinto Barbosa, que foi um muito bom ministro das Finanças e depois foi muito bom governador do Banco de Portugal logo a seguir, outro no tempo do governo do professor Cavaco Silva, o professor Miguel Beleza, foi um dedicado ministro das Finanças, devotado ministro das Finanças, saiu e depois foi nomeado governador do Banco de Portugal e foi também um dedicado e devotado governador do Banco de Portugal", referiu o Presidente da República, que falava aos jornalistas na Ericeira, no concelho de Mafra, distrito de Lisboa.

"Aconteceu sem reparo nenhum quer num caso quer noutro, mas a decisão não é minha, é do senhor primeiro-ministro", acrescentou, sem comentar especificamente a possibilidade de o atual ministro de Estado e das Finanças, Mário Centeno, suceder a Carlos Costa como governador do Banco de Portugal.

Marcelo Rebelo de Sousa ressalvou que "o Governo é que nomeia o governador do Banco de Portugal e, portanto, quando o problema se colocar, daqui por umas semanas ou daqui por um mês, o Governo decidirá a escolha do governador do Banco de Portugal", salientando que "o Presidente da República não tem intervenção nessa matéria" e, portanto, "é de bom tom não estar a pisar a competência de outros órgãos".

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