Covid-19

Marcelo diz que o pior da pandemia já passou mas pede mais vacinação

Marcelo diz que o pior da pandemia já passou mas pede mais vacinação

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, disse este sábado em Miranda do Douro que tanto cá como na Europa "o processo pandémico, a parte mais longa e, aparentemente, mais pesada, já passou", mas que nem por isso se podem baixar os braços.

"Como tudo na vida, as transições finais são sempre uma perturbação porque as pessoas querem recomeçar a vida em termos económicos e sociais e essa transição obriga a manter aquilo que é fundamental, que é vacinar. Vacinar a ritmo rápido e, também, ter precaução e o bom senso mesmo nesse período que nós achamos que é final", explicou aos jornalistas, no final da visita à concatedral de Miranda do Douro, realizada depois de ter participado no encerramento da cerimónia de celebração do Dia da Cidade.

Sem negar que todos desejam que a pandemia chegue ao fim, sublinhou que se deseja que se "esteja a falar não de mais meio ano ou um ano, mas de semanas, um mês, um mês e meio, mais intenso de vacinação", porque quanto mais rápida for a vacinação, "mais fácil é avançar para o fim da pandemia e menos necessárias são outras medidas".

Marcelo sobre público nos estádios: "Um mês é muito importante"

Sem querer comentar a intenção do Governo que não vai ao encontro do pedido da Liga Portuguesa de Futebol no que respeita ao regresso do público aos estádios, por se tratar de um assunto da competência do executivo de António Costa, Marcelo disse mais uma vez que as medidas devem, em cada momento, ser tomadas no plano sanitário. "Aquilo que percebi é que se trata da próxima época futebolística, estamos a um mês de distância. Um mês é muito importante. Vamos ter a sessão epidemiológica no INFARMED precisamente para, além de fazer o balanço do passado, olhar para o futuro. Faz sempre sentido na altura, olhando para o futuro pensar na decisão de futuro", vincou.

A reunião está agendada para o dia 27 e o Conselho de Ministros deverá ter lugar na quinta-feira, dia 29. "Faz sentido nessa altura olhar para o futuro e o Governo decidirá o que entende sobre o futuro, à luz da situação vivida então", acrescentou.

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Sobre a situação pandémica atual, deixou um voto de confiança nos portugueses. "Tive na semana passada reuniões que acabaram às 22 horas, na Área Metropolitana de Lisboa, e percorri ruas e autoestradas, não havia ninguém. Os portugueses com a sua sabedoria de séculos perceberam, independentemente dos debates jurídicos que os tribunais vão resolvendo, e que o tempo vai permitindo solucionar, qual é o comportamento que tinham de adotar. Não havia ninguém nas ruas. Percorri ruas e ruas sem ninguém. Nem nas zonas [da noite]", afirmou o Chefe de Estado, elogiando o processo de vacinação em tempo "recorde" nos últimos dias.

"Temos que ter meios e temos que ter vacinas e esta capacidade que se tem revelado, devemos agradecer a toda a estrutura de saúde e ao contributo das forças armadas, das forças de segurança e à liderança do vice-almirante Gouveia e Melo. Estamos a bater recordes. Se houver vacinas e mantivermos o ritmo, estamos a abrir um caminho para o futuro nas próximas semanas e meses", referiu.

Numa das cidades mais próximas de Espanha, precisamente em Miranda do Douro, Marcelo Rebelo de Sousa disse que as relações entre os dois países em tempos de covid "estão muito boas" e que está em preparação uma cimeira para o fim do ano. "As relações são magníficas entre os dois chefes de estado, muito boas entre governos, e são muito boas entre a comunidade espanhola e as autoridades portuguesas a nível local e regional, e transfronteiriças, e nesse sentido este é um bom momento na amizade e na fraternidade entre os dois países irmãos", concretizou.

Sobre a eventual confusão que se vive nos restaurantes dos concelhos de maior risco, onde as novas regras sanitárias entram hoje em vigor, nomeadamente a apresentação de certificados digitais ou resultados de testes à covid-19, Marcelo explicou que tem estado no distrito de Bragança nestes dois dias e, portanto, não tem acompanhado a execução das medidas. "Eu disse ontem [sexta-feira] que são medidas que tentam encontrar uma colagem à realidade, uma aproximação à realidade, mas são novas e colocam problemas novos. Como tudo que coloca problemas novos a sua execução tem que sendo ajustada e adaptada à realidade", observou.

Marcelo não comenta nomeação de Vítor Fernandes para o Banco de Fomento

O Presidente da República não quis comentar a nomeação de Vítor Fernandes, escolhido pelo Governo para gerir o Banco de Fomento, instituição que vai gerir os fundos comunitários, e que, entretanto, é suspeito de ter ajudado Luís Filipe Vieira em alguns negócios. "É um processo em curso, em investigação e eu nunca falo desse tipo de matéria. As investigações continuam e eu não falo sobre processos", afirmou.

Sobre se a ligação entre negócios e política pode corromper a democracia, uma vez que Luís Filipe Vieira fazia parte da Comissão de Honra de António Costa, Marcelo também escusou fazer comentários. "Estaria a formular um juízo sobre um processo em curso e não vou responder. Os portugueses sabem a minha posição sobre isso há muitas décadas", concluiu.

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