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Marcelo justifica declarações sobre direitos humanos com "nervoso" do futebol

Marcelo justifica declarações sobre direitos humanos com "nervoso" do futebol

O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, justificou as declarações em que desvalorizou a questão dos direitos humanos do Catar com o "nervoso para voltar ao futebol" e disse que foi o próprio, com essa frase, dos primeiros chefes de Estado a abordar o problema.

"Vinha do fim de um jogo de futebol. Perguntaram-me sobre o futebol e eu é que introduzi a questão dos direitos humanos no Catar. Perante o nervoso que havia para voltar ao futebol e tal... mas fui eu que levantei a questão. Pareceu-me que naquele contexto tinha de falar dos direitos humanos", disse Marcelo Rebelo de Sousa, esta sexta-feira, em declarações aos jornalistas. "Tratando-se de um jogo de preparação para o Catar, era a primeira ocasião que tinha para falar dos direitos humanos. De qualquer das formas levantei a questão", acrescentou o presidente da República.,

"O Catar não respeita os direitos humanos. Toda a construção dos estádios e tal..., mas, enfim, esqueçamos isto. É criticável, mas concentremo-nos na equipa. Começámos muito bem e terminámos em cheio", disse Marcelo Rebelo de Sousa, na zona de entrevistas rápidas no Estádio José Alvalade, quinta-feira à noite, após a vitória de Portugal sobre a Nigéria (4-0).

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A Amnistia Internacional reagiu, esta sexta-feira, "estupefacta" às palavras de Marcelo Rebelo de Sousa. "Não tenho visto muitos chefes de Estado serem tão veementes e tão claros na condenação do que se passa em termos de direitos humanos no catar, sendo um país com o qual mantemos relações diplomáticas. Portanto, acho que fiz bem em levantar a questão, no momento em que fazia algum sentido, que foi a primeira" oportunidade de falar no assunto, disse o presidente da República, que disse ser associado daquela instituição internacional de defesa dos direitos humanos.

"No caso do Catar, ontem tomei a iniciativa de falar, não me foi perguntado sobre os direitos humanos. Há duas questões. Uma é os direitos humanos, em termos de liberdades das pessoas, as mais diversas liberdades. Outro é mais específico, que são os direitos dos trabalhadores que trabalharam na construção dos estádios e cuja situação é dramática e implica uma responsabilização que um Estado de Direito deve garantir, nomeadamente aqueles que morreram no exercício de uma atividade laboral. Já tornei isso claro ontem", disse Marcelo Rebelo de Sousa.

Marcelo Rebelo de Sousa tem na agenda a visita ao Catar, que acolhe o Mundial de futebol de 2022, com o pontapé de saída marcado para domingo. "Se o Parlamento autorizar, irei deslocar-me a esse país e certamente terei a oportunidade de abordar a questão", acrescentou o presidente da República, em Coimbra. "Estou convidado por fundações privadas falar sobre o futuro, a educação, o futuro das sociedades. É muito difícil falar do futuro das sociedades sem abordar a democracia, a liberdade e os direitos humanos", especificou.

"Se o parlamento, de forma clara, acha que sim, que devo ir, a minha ideia era, primeiro, em território português, dizer o que penso dos direitos humanos no Catar, e depois, no país onde me desloco, dizer o que penso da situação dos direitos humanos", disse Marcelo Rebelo de Sousa. "É isso que tenho feito. Fiz isso noutros países que não têm regimes democráticos e com os quais mantemos relações diplomáticas. Os meus antecessores fizeram o mesmo, não deixaram de dizer que é um problema que não podemos escamotear, que é o dos direitos humanos", acrescentou.

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