Saúde

Marta Temido: escolha esperada não agrada a médicos e enfermeiros

Marta Temido: escolha esperada não agrada a médicos e enfermeiros

A recondução de Marta Temido como titular da pasta da Saúde já era esperada, mas não agrada a médicos e enfermeiros. Os desentendimentos entre profissionais de saúde e a ministra deixaram marcas e poucos acreditam que, daqui em diante, o rumo seja diferente.

"É uma escolha do primeiro-ministro que temos de respeitar", constata o secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos, lamentando, porém, "o sinal de que a degradação e falta de investimento no SNS continuará".

Jorge Roque da Cunha aponta as listas de espera ou o número de utentes sem médico de família como exemplos de áreas em que a titular da pasta não esteve bem. E conclui reafirmando "total disponibilidade para o diálogo", abertura que, no passado, "infelizmente não foi aceite pela senhora ministra indigitada".

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Do lado dos enfermeiros, as críticas são mais contundentes. "Não somos hipócritas, para nós é uma má escolha para a pasta da Saúde", reage a bastonária da Ordem dos Enfermeiros. Para Ana Rita Cavaco, a ministra não gosta dos profissionais de saúde e "nenhum player da saúde gosta dela". E, se assim é, "alguma coisa está errada na sua postura", assegura.

Sobre o último mandato, lamenta que não tenha havido qualquer preocupação para evitar a debandada anual de enfermeiros para o estrangeiro ou qualquer reforma de fundo no Serviço Nacional de Saúde. "E não venham com a desculpa do covid porque antes disso houve muito tempo", refere, considerando que o trabalho executado se resumiu a uma gestão dos problemas do dia-a-dia.

Tal como os médicos, a bastonária dos enfermeiros queixa-se de nunca ter conseguido reunir com Marta Temido. "Delegou sempre no secretário de Estado Lacerda Sales e este com toda a sua bondade ouviu-nos e até pôde achar que temos toda a razão, mas não decide", afirma.

"Como São Tomé", Ana Rita Cavaco quer "ver para crer", mas deposita poucas esperanças nos próximos quatro anos.

Marta Temido é ministra desde outubro de 2018. Foi escolhida por António Costa para suceder a Adalberto Campos Fernandes já o mandato ia a mais de metade. Convenceu e em outubro do ano seguinte voltou a ser opção para a pasta da Saúde.

O último mandato ficou definitivamente marcado pela luta contra a pandemia covid-19. Ao contrário do que muitos imaginavam, o desgaste provocado por aquele que terá sido o maior desafio da sua vida não a demoveu de continuar.

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