Segurança

Máscaras e batas feitas em Portugal não chegam para o SNS

Máscaras e batas feitas em Portugal não chegam para o SNS

Um em cada cinco infetados com Covid-19 em Portugal é médico, segundo a Ordem. Nos últimos dias, as denúncias de falta de equipamento de proteção individual (EPI) têm crescido a ritmo comparável ao dos infetados.

As empresas de produção de EPI e outro material médico duplicaram ou triplicaram a fabricação e o Estado vai adquirir toda a produção para o Serviço Nacional de Saúde (SNS). Mas toda a produção nacional não chega, "nem de perto, para suprir as necessidades", assegurou quem conhece o mercado.

"Estamos a trabalhar nos três turnos para produzir máscaras, com três pessoas em cada turno. Numa empresa com 460 pessoas, já se vê que não é o nosso negócio principal", explicou ao JN Luís Guimarães, administrador da Bastos Viegas, uma empresa de Penafiel que se dedica à produção de equipamentos para a saúde, desde EPI a dispositivos médicos, por exemplo. Aumentar a produção de máscaras exigiria máquinas adicionais, mas a empresa foi citada na imprensa por estar a "exportar" numa altura em que falta material para o SNS. O administrador assegurou que todas as encomendas para o SNS "têm sido satisfeitas". Até vivermos em cenário de pandemia, a maioria da produção era exportada. Em 2018, Portugal exportou quase 288 milhões de euros de instrumentos e materiais médico-cirúrgicos e importou cerca de 810 milhões de euros. Desde domingo passado, a exportação de EPI para fora da UE foi proibida sem autorização prévia do Estado-membro onde foi produzido.

aquisição acelerada

"É conhecida a escassez de EPI no mercado global, atendendo à situação excecional que se vive em todo o Mundo", recordou fonte do Ministério da Saúde, que sublinhou que as empresas nacionais têm estado empenhadas em responder às necessidades.

"Estamos a reforçar os procedimentos para as necessárias aquisições e responder às necessidades. Neste sentido, as entidades do SNS foram reforçadas financeiramente", assegurou a mesma fonte, precisando que estão a decorrer já "os procedimentos para aquisições no território nacional e fora do país".

Quanto à produção da Bastos Viegas, a mesma fonte assegurou que "tem estado a fornecer ao SNS, quer para a reserva estratégica central quer para diferentes hospitais, e já foi informada de que o SNS iria adquirir toda a sua produção, atento o período de exceção em que vivemos". Dessa forma, a figura da requisição civil da produção da indústria em causa estará fora de equação, uma vez que a mesma é vendida de forma voluntária pelas empresas.

falta de EPI

Enquanto os novos fornecimentos não chegam aos hospitais, os relatos de escassez de material para os profissionais de saúde continuam a suceder-se.

O JN sabe que os profissionais do IPO de Coimbra continuam a atender os doentes sem máscara e nem nas farmácias conseguem adquiri-las para uso pessoal. Os pacientes com doença oncológica são frequentemente imunodeprimidos e facilmente contraem o vírus que os médicos, enfermeiros, técnicos de diagnóstico, assistentes operacionais, administrativos ou seguranças podem transmitir inadvertidamente.

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