Covid-19

Matemático estima que no início de novembro pode haver 3500 casos/dia

Matemático estima que no início de novembro pode haver 3500 casos/dia

A meio da tabela europeia no que à incidência concerne - medida pela soma de novos casos nos últimos 14 dias por 100 mil habitantes -, o SARS-CoV-2 acelerou o passo em Portugal, propagando-se mais depressa do que a nossa capacidade de deteção.

Nos últimos dez dias, a incidência disparou 53%. E o número de novos casos duplica agora a cada 15 dias. Se a isto juntarmos uma subida do fator de transmissibilidade do vírus (o dito R) para 1,23, não há dúvidas de que o vírus está a vencer a corrida.

Tendo por base os dados do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC), atualizados ontem de manhã, o número de novos casos por 100 mil habitantes em Portugal passou dos 99,5, a 4 de outubro, para os 152,3, anteontem. O que faz com que o nosso país esteja a meio de uma tabela assumida pela República Checa, que viu aquele indicador duplicar para os 660,8 [ver infografia].

E se há 15 dias estávamos a duplicar o número de novos casos a cada 30 dias; hoje, as estimativas apontam para uma duplicação a cada 15 dias. Os cálculos são feitos ao JN por Carlos Antunes, docente da Faculdade de Ciências de Lisboa que está a apoiar o professor Manuel Carmo Gomes, epidemiologista que integra o grupo de peritos da Direção-Geral da Saúde (DGS) e do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) que assessora o Governo no combate à pandemia. Sendo que, revela, na Holanda (com incidência de 435,2/mil habitantes) e em França (321,6) aquela duplicação ocorre a cada 12 dias.

Evolução rápida

Trabalhando séries corrigidas, que expurgam subnotificações, Carlos Antunes prevê chegarmos ao início de novembro com cerca de 3500 novos casos diários. "A evolução está a dar-se muito rápido. Estamos a perder a corrida contra o vírus", avisa, frisando que a evolução da curva depende de um grande fator: "redução de contactos".

Curva que começou a subir mais tarde do que na maioria dos países do Centro Europa. Se em França, por exemplo, as escolas abriram logo no início de setembro, por cá o regresso fez-se em meados do mês. "A 2.a vaga começou a 19 de agosto, mas foi uma subida ténue. A partir de 23 de setembro é que tem um crescimento substancial", explica o matemático. O que nos dá um "atraso" de 15 dias. Agora em que parte da tabela estaremos daqui a 15 dias só o impacto das medidas tomadas pelos vários governos - sendo que Paris está com recolher obrigatório e Londres em "lockdown" - o dirá.

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Fator a subir

Certo é que o tão temido R - que nos diz o número médio de casos secundários que resultam de um caso infetado, medido em função do tempo - subiu ontem, revela o especialista, para os 1,23 (estava nos 1,10 no início do mês, de acordo com a DGS). Com destaque para a Região Norte, que viu a curva disparar, com 55% dos novos casos de ontem. Nesta região, o R está agora nos 1,33 e em Lisboa nos 1,11. Abaixo de 1.0 só o Algarve.

Explique-se que um R acima de 1.0 significa que os casos estão sempre a aumentar. "O R tem de baixar o 1.0 e manter-se assim", afirma o investigador Carlos Antunes. Recordando que em Itália e na Alemanha aquele indicador está nos 1,20.

Incidência

Os dados do ECDC, que não configuram uma taxa, mostram-nos a incidência de novos casos nos últimos 14 dias por cada 100 mil habitantes. Harmonização que nos permite fazer comparações entre estados-membros.

Fator R

O R é um indicador que define o grau de transmissibilidade de infeção por SARS-CoV-2. Na quinta-feira, estava nos 1,23. O que quer isto dizer que uma pessoa infetada gerou, em média, 1,23 casos secundários.

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