O Jogo ao Vivo

Coronavírus

Médicos infetados obrigam DGS a corrigir hospitais 

Médicos infetados obrigam DGS a corrigir hospitais 

A Direção-Geral da Saúde emitiu orientação após quatro conselhos de administração manterem a trabalhar profissionais com contactos. Todos pedem mais equipamentos de proteção. Temem rutura do SNS com quarentenas dos profissionais de saúde.

O lema é "testar, testar, testar". Mas há médicos e outros profissionais de saúde que estiveram em contacto com colegas infetados com Covid-19 que não fizeram testes e continuaram a trabalhar, na última semana, por ordem dos hospitais. A preocupação com o aumento das infeções e o número de casos denunciados nos últimos dias fez com que a DGS emitisse, ontem, uma orientação que obriga à quarentena de todos os que tenham "exposição associada a cuidados de saúde".

Até sábado, os médicos de pelo menos quatro hospitais do país continuavam a trabalhar, sem testes ou quarentena, mesmo após terem tido exposição a casos positivos de pacientes ou colegas. O Hospital de Viana do Castelo, por exemplo, emitiu, na quinta-feira, uma circular onde diz que cada profissional exposto a casos positivos de Covid-19 "mantém atividade" desde que não tenha sintomas. Entretanto, com a orientação da DGS, "foi determinado cumprir integralmente a referida norma", disse fonte oficial do Hospital de Viana.

Ali, há pelo menos cinco profissionais, entre os quais um enfermeiro e uma médica da Pediatria, cujo teste foi positivo, mas podem ser mais. "Há muitos profissionais que não estão a ser testados e deveriam", disse ao JN uma enfermeira da Urgência que suspeita que há médicos e pessoal potencialmente infetado, mas assintomático, a trabalhar.

"Há uma necessidade grande de testar. É preciso generalizar esses testes a todos os hospitais e, depois, que esses testes sejam pedidos por todos os médicos", assinala Jorge Roque da Cunha, secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos, que estima que existam mais de 60 profissionais infetados e cerca de 300 em quarentena.

Uma circular semelhante à de Viana foi enviada aos profissionais de saúde do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), hospital SAMS (Serviço de Assistência Médico-Social do Sindicato dos Bancários) e Hospital de Santa Maria, em Lisboa. Em todos estes há casos de profissionais de saúde infetados.

Todos de quarentena?

Noel Carrilho, presidente da Federação Nacional dos Médicos, considera "incompreensível que decisões com este impacto na vida dos profissionais e de risco potencial para a população sejam assumidas por quem não tem autoridade para tal", referindo-se aos conselhos de administração.

Todos estão de acordo com a necessidade de cumprir a orientação da DGS, mas alertam para a necessidade de haver mais materiais de proteção para travar a escalada de profissionais em quarentena. Nas redes sociais, há apelos para que quem possa ajude o Hospital da Feira com estes equipamentos.

Ao JN, um profissional do CHUC revelou que, no sábado, estavam "cerca de 150 trabalhadores em quarentena", dez dos quais enfermeiros do Serviço de Endocrinologia. Mas não é caso único. A equipa original da Pediatria do Pedro Hispano, em Matosinhos, está quase toda de quarentena e as escalas têm sido feitas com recurso a internos do São João.

Miguel Guimarães, bastonário da Ordem dos Médicos, insiste na necessidade de mais materiais de proteção como luvas, máscaras, batas e soluções alcoólicas de desinfeção. Caso não cheguem a tempo, "qualquer dia estão todos os médicos de quarentena".

Há ainda casos de materiais, como os que foram entregues a um centro de saúde de Lisboa, fora do prazo de validade. De acordo com a denúncia do Sindicato Independente dos Médicos, "há incapacidade de previsão e organização, como é exemplo a caixa de máscaras com a validade de 2014".

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG