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Metade dos portugueses em idade fértil não tem filhos

Metade dos portugueses em idade fértil não tem filhos

Cerca de metade dos portugueses em idade fértil, ou seja, entre os 18 e os 49 anos, não tinha filhos no ano passado, segundo um estudo do INE. E não pretendia ter filhos nos próximos três anos.

Um inquérito à fecundidade, efetuado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e divulgado esta quinta-feira, confirma a tendência de redução do número de filhos em Portugal.

"Em 2019, 42,2% das mulheres dos 18 aos 49 anos e 53,9% dos homens dos 18 aos 49 anos não tinham filhos", conclui o INE, especificando que o número médio de filhos passou de 1,03 em 2013 para 0,86 no ano passado. Uma situação que abrangeu todas as regiões do país, embora tenha sido mais acentuada na Área Metropolitana de Lisboa.

Acresce que a maioria dos portugueses também não tencionava ter filhos, nem no ano passado, nem nos próximos três anos. "Questionados sobre a intenção de ter filhos, 55,1% das mulheres e 47,3% dos homens indicaram não pretender ter ou ter mais filhos", revelou o INE. Essa decisão era mais acentuada na camada mais jovem da sociedade, com 93,4% das mulheres e 97,6% dos homens, entre os 18 e os 29 anos, a não pretenderem ter filhos. Os motivos não se prendiam com questões financeiras. Mas com "vontade própria" ou "o facto de a maternidade ou paternidade não fazerem parte do seu projeto de vida".

As questões financeiras já são a justificação para o facto de os portugueses continuarem a ter filhos cada vez mais tarde. Em concreto, os inquiridos explicaram o adiamento do primeiro filho, que nasceu cinco anos após o desejado, por "motivos relacionados com a estabilidade financeira, emprego e condições de habitação".

"Uma parte expressiva de mulheres e dos homens com filhos (45,1% e 58,5%, respetivamente) tiveram o primeiro filho mais tarde do que o desejavam. O adiamento foi de, pelo menos, cinco anos para uma parcela considerável de mulheres e de homens (36% e 47,7%)", apurou o INE, no inquérito à fecundidade.

Por isso, não é de estranhar que nove em cada dez portugueses com filhos tenha defendido, no inquérito do INE, que devem existir incentivos à natalidade, como flexibilização dos horários de trabalho, maior oferta de creches e ATL, reforço dos apoios à saúde ou educação, além de "incentivos fiscais às entidades empregadoras com práticas de gestão que apoiem trabalhadores com filhos".

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O inquérito do INE também se debruçou sobre a divisão das tarefas familiares, concluindo que as atividades relacionadas com a casa e com o cuidar dos filhos continuam a recair sobre as mulheres. No entanto, homens e mulheres revelam-se satisfeitos com a eficácia dessa divisão.

"Foram maioritariamente as mulheres que indicaram ser habitualmente responsáveis pelas tarefas domésticas, como lavar e cuidar da roupa (77,8%), limpeza da casa (59,3%) e preparar refeições (65%)", apurou o INE, acrescentando: "Também foram as mulheres a indicar ter a seu cargo as tarefas como vestir os filhos (64,7%), ficar e casa quando estão doentes (63,7%), levar ao médico (55,6%), ajudar com os trabalhos escolares (46,5%), deitar os filhos (45,3%) e levar e buscar à creche ou à escola (36,2%)".

Já os homens "referiram com mais frequência fazer habitualmente os pequenos arranjos e restauros da casa (18,3%)".

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