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40.º Congresso PSD

Montenegro sobre aeroporto: autoridade e credibilidade de Costa está "ferida de morte"

Montenegro sobre aeroporto: autoridade e credibilidade de Costa está "ferida de morte"

O novo líder eleito do PSD disse esta sexta-feira à noite no discurso de abertura do congresso do PSD que todo o episódio em torno dos planos para o novo aeroporto de Lisboa foi "a mais estranha e mais mal explicada briga entre um ministro e um primeiro-ministro" e que a "autoridade e credibilidade" de António Costa estão "feridas de morte irremediavelmente" depois de ter aceitado que Pedro Nuno Santos permaneça do Governo.

"Isto é tudo muito estranho. Está em causa a dignidade do Governo da República e a dignidade dos seus membros", disse Luís Montenegro, insistindo na necessidade de mais explicações por parte de António Costa sobre se conhecia ou não o conteúdo do despacho, que detalhava "de A a Z" como iria decorrer o novo processo.

Luís Montenegro ironizou com o facto de o "erro grave" do ministro Pedro Nuno Santos não ter tido como consequência a sua demissão. "Acho que o ministro Pedro Nuno Santos conseguiu pôr as pernas a tremer a alguém mas não foi a nenhum credor [aludindo a declarações no passado sobre o não pagamento da dívida a credores], foi a um primeiro-ministro porque não há nenhuma explicação para ele continuar no Governo depois de ter feito aquilo que fez", insistiu.

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"Temos um primeiro-ministro que é politicamente complacente, fraco e inconsequente com o ministro que terá traído a sua posição assumida publicamente", acusou, criticando o facto de não haver "consequências deste ato".

E recordou o caso do antigo ministro da Cultura João Soares, que se demitiu na sequência de uma publicação numa rede social, tendo António Costa avisado que "nem à mesa do café" os membros do Governo se podem esquecer dessa condição.

"Ficámos a saber que isso é válido para a mesa do café, mas não é válido para o Diário da República", atirou Luís Montenegro, defendendo estar em causa "a dignidade" do Governo e dos seus membros".

"A autoridade e a credibilidade do primeiro-ministro estão feridas de morte irremediavelmente. Se isto é admitido, então todos os ministros e secretários de Estado podem fazer quase tudo aquilo que lhes apetecer fazer", disse, duvidando que António Costa não conhecesse o conteúdo do despacho entetanto revogado. "Ninguém acredita nisso", afirmou.

"Um Governo em roda livre"

"O primeiro-ministro tem de dizer ao país: conhecia esta decisão no seu conteúdo ou não? Ou isto é mesmo roda livre: escolhem-se localizações, rasgam-se contratos no âmbito de concursos públicos?", questionou, insistindo na necessidade de mais respostas por parte do chefe do Governo: "sabia ou não sabia que esta solução, este caminho, estava a ser trabalhado para poder ser apresentado?", questionou.

Para Montenegro, "qualquer que seja a resposta é igualmente má: se sabia e ainda não disse, é gravíssimo; se não sabia e isto aconteceu tudo assim é igualmente gravíssimo", disse, sem compreender "como é que tudo isto pode estar a ser congeminado nas costas do primeiro-ministro" e considerando que o Governo se transformou numa "balbúrdia".

PSD não vai ser muleta do Governo

Quanto ao facto de o primeiro-ministro ter dito que pretende ouvir o líder do PSD sobre a decisão do novo aeroporto, Montenegro disse que "o PSD não é, nem vai ser a muleta do Governo quando o Governo é confrontado com a sua incompetência". "Mas o PSD sabe e reconhece que o país e Lisboa precisam de reforçar a sua capacidade aeroportuária e, por via disso, suprir insuficiências que já existem, outras que se antecipam e e que prejudicam o interesse nacional"

Luís Montenegro garantiu que a sua Direção irá transmitir pessoalmente ao primeiro-ministro a opinião do PSD sobre este assunto, bem como a metodologia e as condições como requisitos para um "eventual diálogo".

"Mas não aceitamos qualquer chantagem psicológica, política ou institucional nem sobre o 'timming"'nem sobre o conteúdo da decisão", avisou.

Montenegro questionou o que vai o primeiro-ministro "fazer com o tal concurso público que já tinha adjudicação para a realização da avaliação ambiental estratégica que o PS acordou com o doutor Rui Rio e com o PSD", defendendo que, "com a revogação do despacho, vai ter de ir até ao fim".

"O presidente do PSD vai mudar este fim de semana, mas o PSD é o mesmo e, até decisão em contrário, as decisões do doutor Rui ​​​​​​​Rio são as minhas decisões e as decisões do PSD", assegurou Luís Montenegro.

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