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"Não há noção que é preciso uma mudança rápida". Jovens voltam à rua pelo planeta

"Não há noção que é preciso uma mudança rápida". Jovens voltam à rua pelo planeta

Alice Gato e Inês Aleixo integram o grupo de milhares de jovens que, em Portugal e em mais de 100 outros países, voltam a sair à rua esta sexta-feira em defesa do planeta.

A poucos dias da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2019 (COP25), de 2 a 13 de dezembro, em Madrid, confirmam que, apesar de já se interessarem por esta questão, foi após o surgimento do movimento lançado pela sueca Greta Thunberg que se começaram a empenhar mais na causa.

"Sempre fui sensibilizada pela minha mãe para as causas sociais e já me tinha juntado ao coletivo Climáximo", conta a universitária Alice Gato ao JN, acrescentando que não come carne desde o 8.º ano. Quando a Greve Climática Estudantil, em que os alunos faltam às aulas, surgiu mudou prioridades e passou a "dedicar muito mais tempo e energia à luta pela justiça climática".

O facto de ser uma jovem com quem os mais novos se identificam - Greta tem 16 anos -, a mediatização que o movimento recebeu, mas também "este sentido de desespero que agora se está a tornar real" são, para Alice Gato, as principais razões que levam a que esta questão esteja a conseguir mobilizar os mais novos. "Ainda não há a noção de que é preciso fazer uma mudança mesmo rápida", sublinha, felicitando as pessoas que "nunca saíram à rua por nada e que agora o estão a fazer".

Foi há dois anos que Inês Aleixo começou a ter um olhar mais preocupado para os riscos que o ambiente está a correr. Apesar de ter participado em ações nas praias e em alguns protestos de menor dimensão, a sua atitude mudou com o exemplo da jovem sueca. "Com a Greta ganhámos outro tipo de consciência", considera, acrescentando que este é um dos motivos para que os jovens estejam a aderir em massa a esta causa: "As coisas não estavam tão bem como faziam parecer", sublinha.

Governos reagem... mas pouco

"Há um ano e meio que me tornei definitivamente vegetariana, estou a tentar fazer o mínimo de lixo possível, compro a granel, ando quase sempre a pé, independentemente das condições meteorológicas, e tento consciencializar as pessoas", revela. Estas foram as principais alterações que tem vindo a levar a cabo para ajudar o planeta a ser sustentável.

"Os jovens desconfiam um bocado das instituições" e, por isso, aderem mais facilmente a estes movimentos que integram associações ambientalistas, explica Carla Graça, da Zero. "Há vários heróis juvenis em vários países. Aliás, em países onde a democracia e a liberdade de expressão não são o forte", frisa. "Aquilo que estão a dizer é que os problemas têm que ser resolvidos pela nossa geração". Considera que esta visibilidade a nível mundial começa a "ter algum efeito" nas medidas que estão a ser tomadas pelos governos, embora ainda sejam insuficientes.

"Há aqui alguma reação da classe política a este fenómeno. Resta saber se é suficiente. No nosso entender, não é. É preciso muito mais ambição e coragem política", defende. A ambientalista lembra que muitas medidas podem ser impopulares, como as relativas à redução do tráfego automóvel, e também que "as questões económicas são as que têm um peso maior. Estamos a falar do interesse de grandes indústrias".

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