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No CDS, todos prometem pôr ordem na casa

No CDS, todos prometem pôr ordem na casa

Moções dos candidatos à liderança incluem propostas para reverter crise financeira que CDS atravessa e para posicionar o partido mais à Direita.

Entre promessas de posicionar o CDS-PP mais à Direita ou de recuperar a identidade perdida para inverter os desastres eleitorais que levaram Assunção Cristas a bater com a porta, há uma prioridade comum aos cinco candidatos à liderança nas moções globais ao congresso deste fim de semana, em Aveiro. Quando se somam notícias sobre cortes em sedes e funcionários, as soluções para arrumar a casa incluem um diretor financeiro e uma auditoria.

O candidato João Almeida, porta-voz da atual direção, diz que "a gestão rigorosa dos recursos é imprescindível" para que o CDS não volte a viver esta crise. O planeamento financeiro deve ser atribuído a um vice-presidente e, em alternativa, "poderá ser criado o cargo de tesoureiro", propõe ainda. Qualquer alienação, oneração ou aquisição deve ser aprovada em Conselho Nacional, que irá eleger uma comissão independente.

Francisco Rodrigues dos Santos, líder da Juventude Popular (JP) mais conhecido por Chicão, defende "a criação da figura do diretor financeiro" porque "o CDS terá que fazer muito com pouco". Quer reforçar os poderes dos conselhos executivo e de fiscalização no âmbito das contas do partido.

Filipe Lobo d"Ávila, assumido crítico de Assunção Cristas, também propõe um diretor financeiro, libertando a secretaria-geral para outras funções. Deve "assegurar a regularidade e a sã transparência de todos os procedimentos contratuais".

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O candidato Abel Matos Santos, da Tendência Esperança em Movimento, promete "uma auditoria exaustiva às contas do partido".

Plataforma de partidos

Carlos Meira, militante de Viana, quer tornar "obrigatória a publicitação de todas as contas do partido", bem como das remunerações dos dirigentes e do pessoal.

Quanto ao posicionamento, "o CDS-PP não pode ter receio de se afirmar como o partido da Direita (ou das direitas)", diz João Almeida. Perante a "fragmentação parlamentar", admite "entendimentos pluripartidários" para que a Direita possa voltar ao poder, e "a construção de uma plataforma comum" entre os partidos alternativos ao socialismo.

O líder da JP quer renovar, restruturar e reposicionar o CDS para surgir "o tal novo partido antigo que represente uma nova Direita", quando "a quadrilha das esquerdas unidas tomou de assalto o sistema parlamentar".

Para Lobo d'Ávila, o CDS é "o partido da Direita democrática moderada". E "oposição ao PS não pode significar oposição ao país", refere, admitindo acordos com o Governo nas reformas fundamentais. Para uma nova mudança, é preciso que os partidos de centro-direita, "sozinhos ou em coligação, consigam maioria absoluta de deputados". Mas "o caminho preferencial" é o CDS disputar sozinho as legislativas.

Abel Matos Santos, da minoria mais conservadora, quer "uma plataforma política alargada como forma de agregar a Direita, conquistar o Centro e a abstenção".

Carlos Meira defende o "ressurgimento do partido" e que fique muito atento ao Chega e ao Iniciativa Liberal, que apareceram enquanto o CDS vivia "em guerrilhas civis internas ideológicas". Nesta matéria, João Almeida e Lobo d" Ávila creem que conservadores e liberais devem coexistir. Por sua vez, o Chicão destaca "a ideologia política democrata-cristã e conservadora de Direita".

Só CDS na siga e diretas

Todos prometem envolver as bases. O líder da JP propõe uma aplicação móvel para militantes e Carlos Meira quer o recurso generalizado ao Whatsapp e uma "volta a Portugal" do líder. João Almeida quer "redimensionar" os órgãos nacionais, cujo peso "é muito grande e relativiza as representatividade das estruturas locais".

Lobo d'Ávila defende que a sigla seja só CDS sem PP. Propõe diretas para candidatos a deputados, cabendo ao líder os cabeças de lista. Abel Matos Santos pede "primárias diretas" para candidatos aos círculos uninominais.

Além destas moções, há mais sete globais. A de Nuno Melo, para uma "Direita Autêntica", é subscrita por Telmo Correia, Paulo Núncio e Álvaro Castello-Branco.

Autárquicas vitais e apoio a Marcelo não é garantido

Os candidatos dão prioridade às autárquicas de 2021 como desafio à sobrevivência do CDS. Quanto às presidenciais e à eventual recandidatura de Marcelo Rebelo de Sousa, Lobo d' Ávila diz que "o CDS deve manter as opções em aberto", inclusive "promover uma candidatura" que possa "surgir do seu espaço político". Com João Almeida, o CDS começará por avaliar o mandato de Marcelo e qualquer apoio "não pode ser um impulso da direção".

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